O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) revisou a previsão de crescimento da Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF, ou investimentos) no PIB do terceiro trimestre de 8,7% projetados anteriormente para 6,6%, segundo o economista da instituição, Estevão Kopschitz. A revisão foi feita nesta terça-feira (7), após a divulgação dos dados da produção de bens de capital em setembro pelo IBGE, que mostraram recuo de 2,1% em relação a agosto e de 0,4% na comparação com setembro de 2005.

Segundo Kopschitz, a projeção da instituição de crescimento de 3 3% no PIB em 2006 também será revisada para baixo, em conseqüência do mau desempenho da produção industrial revelado nesta terça-feira pelo IBGE.

A previsão do Ipea para a produção industrial de setembro era de queda de 0,9% na comparação com agosto (o resultado final foi de -1,4%) e aumento de 2% ante setembro de 2005 (o IBGE divulgou um crescimento de 1,7%).

Para Kopschitz, as consecutivas revisões para baixo nas estimativas de expansão do PIB comprovam que somente a queda de juros não é suficiente para acelerar a atividade. "Só queda de juros não leva ao crescimento, a carga tributária cresceu muito, a infra-estrutura e a taxa de investimento não melhoraram", disse.

Para ele, os investimentos não avançam porque os juros reais ainda são altos – mesmo tendo caído substancialmente nos últimos anos – e a infra-estrutura do País "deixa a desejar". Para Kopschitz, "o Brasil vem crescendo abaixo dos países emergentes e tudo isso vai desestimulando os investimentos, não há sinalizações concretas de como o governo fará para aumentar investimentos em infra-estrutura".