O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) prevê uma nova onda de redução da desigualdade social no País, depois de uma relativa desaceleração dessa queda em 2005, conforme apresentado no livro sobre o tema lançado nesta sexta-feira (13) na instituição. Segundo o organizador dos artigos do livro "Desigualdade de Renda no Brasil: uma análise da queda recente", Ricardo Paes de Barros, os números mais recentes que não constam na publicação e devem compor um segundo e terceiro volumes sobre o tema, apontam dados "ainda mais otimistas" do que os anteriores.

Pelos dados já publicados, a desigualdade teve uma queda de 4% no País entre 2001 e 2005 e praticamente se manteve estagnada em 2006. Os dados consideram a Pesquisa Mensal de Emprego(PME) do IBGE. "Dizer que os pobres sequer se aproximaram de 1% da renda que surgiu no mercado no período parece pouco, mas se superasse esse 1% já teríamos resolvido todo o problema de pobreza no país porque 1% nesse caso é muito", considerou, lembrando que pelas seis últimas PMEs é possível estimar um cenário em que há maior redução da desigualdade no País.

"Não dá para comemorar o resultado, porque o Brasil ainda está entre os países do mundo com maior índice de desigualdade entre pobres e ricos, mas essa análise permite ao menos traçar alguns aspectos que influenciaram para que a situação dos mais pobres ficasse melhor, e traçar um caminho para estimular programas sociais que contribuam ainda mais para que essa diferença chegue a níveis mais baixos", avaliou Paes de Barros, que é coordenador de Avaliação de Políticas Públicas do Ipea.

Entre os destaques no trabalho, segundo ele, esteve o levantamento junto aos entrevistados sobre a percepção de cada um a respeito de sua própria renda no período entre 2001 e 2005. Enquanto 82% tiveram noção de que sua renda havia caído, 18% perceberam o contrário. "O detalhe é que esses 18% são compostos pela população miserável, não assalariada. E faz uma enorme diferença que esse grupo da sociedade seja o que está tendo um acréscimo em sua renda", disse.

O coordenador da pesquisa também argumentou que, ao contrário do que acreditam alguns teóricos, para que a desigualdade social caísse num ritmo mais acelerado, não seria explicitamente necessário que a camada mais rica da população perdesse renda.

Em um exercício feito pelos pesquisadores, ficou demonstrado que para diminuir a diferença entre pobres e ricos, bastaria que cada pobre ganhasse R$ 10 a mais em seu mês. "E a desigualdade continuaria caindo mesmo que, simultaneamente a esse acréscimo na renda do mais pobre, houvesse um aumento de R$ 1 mil na conta de cada rico. Ou seja, todo mundo ganha", considerou.