O economista do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) Estêvão Kopschitz disse que o câmbio não pode ser considerado, de forma isolada, como responsável pelo crescimento menor da produção industrial em 2006 (2,8%) do que o apurado em 2005 (3 1%). Para ele, a carga tributária elevada tem um efeito até mais forte sobre a atividade da indústria do que a cotação do dólar. "Não gosto de isolar o câmbio como culpado, há outras coisas muito importantes dificultando o crescimento, como a carga tributária", disse.

Para Kopschitz, embora o câmbio dificulte as exportações de alguns segmentos ou eleve a concorrência no mercado interno para outros, "se por um lado o câmbio é visto como um vilão, por outro facilita a importação de máquinas e equipamentos, que contribuem para o aumento da capacidade (da indústria)".

O economista considera a "composição" do crescimento da produção industrial em 2006, com aumento do impacto de bens de capital no resultado, como um dado positivo para o setor em ano "em geral muito parecido com 2005".

Kopschitz não considerou os dados de dezembro como reveladores de um ganho de ritmo forte da indústria, mas ainda assim avalia que 2007 será um ano melhor do que 2006 para o setor. Segundo ele, o Ipea, que previa exatamente o crescimento de 2,8% apurado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na produção industrial no ano passado, estima uma expansão de 4,0% para 2007. Segundo ele, esse crescimento será puxado pela continuidade da queda dos juros e um nível de estoques "adequado" na indústria.