A questão econômica foi a principal polêmica do relatório final do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), aprovado depois de uma semana de reuniões em Bangcoc, Tailândia. Países desenvolvidos, liderados pelos Estados Unidos, e nações em desenvolvimento – representados pela China e com a retaguarda do Brasil – estiveram reunidos em blocos opostos. Eles travaram uma disputa sobre quem deve começar a cortar as emissões de gases estufa e a pagar a conta.
Países ricos lembraram que as emissões de nações em desenvolvimento serão as que mais crescerão até 2030, portanto seria mais fácil que o controle partisse delas. A delegação americana disse que entre dois terços e três quartos do percentual de crescimento da concentração de CO2 na atmosfera, que pode variar de 25% até 90% a mais até 2030, será responsabilidade dos emergentes.
Os emergentes justificaram que, mesmo com o crescimento, os ricos manterão um índice de emissão per capita mais alto. A China falou de 9,6 e 15,1 toneladas de carbono por habitante nos países ricos – e entre 2,8 e 5,1 toneladas nos emergentes. Além disso, sustentaram as delegações, o passivo histórico cabe às nações industrializadas. "Está tudo pronto", disse hoje Peter Lukey, integrante da delegação sul-africana. "Tudo o que queríamos ver, e mais, estava lá. A mensagem é: Nós temos de fazer alguma coisa agora.


