Com alta de 1,01% no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em fevereiro, Curitiba registrou o maior índice de inflação do País pelo segundo mês consecutivo. Em janeiro, a taxa de inflação medida pelo IBGE na capital paranaense foi 1,45%. O indicador nacional teve variação de 0,61% no mês passado, ficando 0,15 ponto percentual abaixo do de janeiro (0,76%). No primeiro bimestre, o IPCA de Curitiba acumula 2,47%. No País, a variação foi de 1,37% – inferior aos 3,86% do mesmo período de 2003. O índice dos últimos doze meses (6,69%) também ficou abaixo dos doze meses imediatamente anteriores (7,71%). Em fevereiro de 2003, o IPCA foi 1,57%.

De acordo com o IBGE, Curitiba apresentou o maior índice regional porque vários itens importantes tiveram aumentos superiores à média nacional, como: gás de cozinha (1,22%), automóveis novos (2,34%), gasolina (2,97%), álcool (2,51%) e remédios (0,86%). O menor índice foi o de Salvador (0,36%). Nas outras capitais, as variações foram: Goiânia (0,91%), Recife (0,88%), Fortaleza (0,88%), Brasília (0,84%), Belém (0,78%), Belo Horizonte (0,64%), Rio de Janeiro (0,63%), Porto Alegre (0,56%) e São Paulo (0,45%).

A redução do IPCA nacional em fevereiro foi motivada principalmente pelo grupo Alimentação e Bebidas, com variação de 0,15% – ante 0,88% em janeiro. O IBGE atribuiu a queda à menor quantidade de chuva e à intensificação da comercialização da nova safra. Depois de subir 25,80% em janeiro, o tomate caiu 3,71%; as frutas passaram de 2,69% para -0,89%; o arroz, de 3,16% para 0,68%. Com a boa safra de cana-de-açúcar, os preços do açúcar refinado, que já haviam caído 7,58% em janeiro, caíram ainda mais: 11,06%, constituindo o principal impacto negativo (-0,03 ponto percentual) do mês.

Outros itens com queda foram: álcool (-2,54%), artigos de limpeza (-0,69%), ônibus interestadual (-0,46%), remédios (-0,23%) e artigos de vestuário (-0,23%).

O maior impacto positivo veio das mensalidades escolares. Com elevação de 8,11%, esse item contribuiu com 0,31 ponto percentual – a metade -do IPCA de fevereiro. A conta de telefone fixo ficou 0,91%, refletindo o reajuste de 7% nas ligações de fixo para móvel. Cigarros subiram 2,03%, automóveis novos, 1,56% e os usados, 1,39%. O IPCA reflete a variação de preços para famílias com rendimento mensal entre um e quarenta salários mínimos.

INPC

Para as famílias de menor renda, a inflação foi menor. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que reflete o custo de vida para famílias com renda de um a oito salários mínimos, fechou em 0,39% – 0,44 ponto percentual abaixo da taxa de janeiro (0,83%). Nos dois primeiros meses, o INPC acumulou 1,22% – contra 3,97% no mesmo período de 2003. Nos últimos doze meses, a taxa ficou em 7,47%, também abaixo do resultado dos doze meses anteriores (8,62%). Curitiba apresentou a quinta taxa mais alta entre as onze regiões pesquisadas: 0,66%. O maior índice regional foi o de Brasília (1,03%) e o menor, o de São Paulo (0,10%).

Alta em fevereiro foi de 0,27%

Os preços administrados por contrato e monitorados pelo governo tiveram variação de 0,27%, em Curitiba, abaixo do IPCA de fevereiro (1,01%). No ano, as tarifas públicas acumulam elevação de 3,28% – superando a inflação de 2,47% – e nos últimos doze meses, de 5,09% (abaixo do IPCA de Curitiba, que acumula 6,25%). Para uma família curitibana, o custo dos serviços públicos foi de R$ 422,51, conforme pesquisa mensal divulgada em conjunto pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese) e Sindicato dos Engenheiros do Paraná (Senge/PR). Entre os itens pesquisados, foi registrado aumento de preços na tarifa de água e esgoto (5,88%), gasolina (1,83%) e diesel (0,29%). Com queda, aparecem: álcool combustível (-1,73%), gás de cozinha (-0,18%) e passagem de ônibus (-0,97%). (OP)