Nos últimos doze meses ingressaram no Brasil cerca de US$ 20 bilhões em investimentos estrangeiros, o que levou o Banco Central a rever sua estimativa de aporte de capital externo em 2007, fixada no final do ano passado ao redor de US$ 18 bilhões.

O ritmo da chegada de novos capitais nos primeiros dois meses do ano superou os valores registrados há um ano, pois somente em janeiro o fluxo anotado foi de US$ 2,412 bilhões, 64% maior que em período igual de 2006. Diante da perspectiva aberta pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e seu conjunto de obras no setor da infra-estrutura, os analistas vêm como normal o interesse crescente na economia brasileira, por parte de investidores internacionais.

Contudo, o reflexo imediato da maciça entrada de dólares no País foi sentido na valorização do real, sério percalço no desempenho das exportações, que não serão beneficiadas no curto prazo, mesmo com a compra de grandes quantias de moeda norte-americana pelo Banco Central. Entre janeiro e fevereiro o BC comprou cerca de US$ 12 bilhões, quebrando todos os recordes mensais anteriores.

A atração de investimentos estrangeiros é sinal claro do processo de dinamização da nossa economia e da confiabilidade que o País conseguiu estabelecer no exterior, sobretudo, no que diz respeito à estabilidade das condições macroeconômicas. O BC aponta no total de reservas em moeda estrangeira (US$ 100 bilhões), também um recorde histórico, e na queda do risco-País, os fatores que mais contribuem para a captação de investimentos no exterior.

O Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) está otimista com o quadro potencial da indústria brasileira, lembrando que o País deverá romper a tradicional barreira dos US$ 20 bilhões de investimento externo, verificada em 2001, no auge das privatizações.

O ingresso de poupança estrangeira é vital para consolidar os projetos de crescimento da economia, mas a obrigação intransferível do governo é aplicar medidas protecionistas ao empreendimento autenticamente nacional, motivando-o a alcançar padrões de efetiva competitividade e soberania, evitando os riscos de transformar o País num território livre para a especulação.