Para levar o astronauta Marcos Pontes ao espaço na Soyuz TMA-8, o Brasil fechou acordo com o governo russo em outubro do ano passado. O acordo permitiu que a viagem do astronauta saísse por menos da metade do valor cobrado pelos russos. O Brasil está pagando US$ 10 milhões para participar da viagem. "Isso representa menos de 1% do orçamento anual do ministério. É um custo que o Brasil pode suportar tranqüilamente", afirmou o ministro da Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende, em entrevista nesta semana.

No preço estão incluídos os custos com o treinamento do astronauta, com o vôo até a Estação Espacial, o transporte da bagagem e o canal de voz usado para manter contato com o Brasil durante a missão.

O governo brasileiro investe US$ 100 milhões por ano no Programa Espacial, iniciado em 1961. O Brasil é um dos 15 países que desenvolvem programa espacial completo, com construção de satélites para observação da terra e meteorologia, veículos lançadores de foguete. "Agora sim temos um programa espacial completo, afirmou Sergio Rezende.

A expectativa brasileira é de que a base de lançamento de Alcântara, no Maranhão, volte a operar no ano que vem. A plataforma foi destruída em 2003, em um acidente que matou 22 pessoas.

Marcos Pontes levou oito experimentos brasileiros para a Estação Espacial Internacional, selecionados entre mais de 50. As experiências são de universidades e centros de pesquisa. Na lista, estão projetos para analisar o efeito da gravidade nas enzimas, nas proteínas, os danos e reparos do DNA na germinação de sementes e no crescimento das sementes de feijão. A expectativa do ministro Sergio Rezende é de que, em um mês, os resultados das pesquisas já possam ser observados.

Depois de desenvolver os experimentos, Marcos Pontes fará um relatório sobre cada um deles. Quando voltar à terra, o relatório será entregue, juntamente com o teste, aos pesquisadores.

O objetivo é que o Brasil desenvolva conhecimento sobre a realização de pesquisa em ambiente quase sem gravidade. Os experimentos levados por Pontes vão permitir, por exemplo, o conhecimento de detalhes sobre eventuais falhas na execução dos oito experimentos. "O mais importante é que ele está produzindo toda essa atenção de milhões de telespectadores e jovens que, esperamos, sejam atraídos para a ciência e para a tecnologia. O Brasil precisa disso para se desenvolver", disse o ministro.