Investigações sobre o seqüestro de Pedrinho vão continuar

Um dia após o encontro de Osvaldo Martins Borges Júnior, o Pedrinho, de 16 anos, com seus pais biológicos, o delegado-chefe da Delegacia de Homicídio de Brasília, Luiz Julião Ribeiro, disse que as investigações sobre o seqüestro do garoto vão continuar, independentemente do crime estar prescrito ou não. A mãe adotiva, Vilma Martins Costa, será ouvida nos próximos dias.

A polícia trabalha com a possibilidade de envolvimento da mãe adotiva no seqüestro do menino, ocorrido há 16 anos na maternidade do Hospital Santa Lúcia. No primeiro depoimento que prestou, Vilma assegurou que teve o bebê numa clínica de Goiânia  um dia antes do seqüestro. Teria mudado de versão, e admitido ter adotado o menino, depois de confrontada com as informações em poder da polícia. A mais forte delas era a precisão das informações recebidas pelo SOS Criança sobre a verdadeira identidade do menino.

Pedrinho foi tirado dos braços de sua mãe, Maria Auxiliadora Braule Pinto, em janeiro de 1986, 13 horas depois de seu nascimento. A seqüestradora entrou no quarto da mãe dizendo que era assistente social e que iria levar o bebê para fazer exames. Ele foi registrado, quase três meses depois, no cartório de Registro Civil de Goiânia com o nome de Osvaldo Martins Borges Júnior.

A direção do Hospital Santa Lúcia aponta semelhanças entre Vilma e o retrato falado da falsa assistente. Fontes da polícia afirmam que os traços físicos do retrato, envelhecidos no computador, são igualmente parecidos. Vilma Costa mantém a versão de que o recém-nascido teria sido entregue a seu marido, Osvaldo Martins Borges, falecido no último dia 19, por uma gari. A mãe adotiva e seu advogado, Ezizio Barbosa, rebatem a suspeita  alegando que Maria Auxiliadora foi categórica ao dizer que não vê semelhanças entre ela e a pessoa que pessoa que levou seu filho.

?Para que eu possa me pronunciar, é preciso que essa acusação seja formalizada?, alega o advogado. No início reticente em falar com a imprensa, Vilma agora o faz. ?Ganhei um presente de Deus quando recebi Osvaldo e Deus me deu agora um novo presente, que são os pais verdadeiros dele?, afirma.

Questionada por nunca ter feito a ligação entre o filho adotado e o sumiço de Pedrinho, Vilma Costa responde: ?Sempre trabalhei muito nas duas marcenarias que tenho. E além do mais, não gosto de televisão, prefiro ver um filme quando chegou em casa.Quem me conhece sabe, sabe que jamais faria uma mãe sofrer?, disse.

Depoimento – Além da mãe adotiva, também deve depor a pessoa que passou as informações sobre Pedrinho para o SOS criança, Seu nome ainda não foi revelado, mas há suspeita de que seja uma pessoa com interesses na herança.

A polícia guarda sigilo sobre a informante. Também está em andamento o trabalho de uma comissão especial, formada por quatro delegados, encarregada de examinar o enquadramento desse caso num dos artigos do Estatuto de Defesa do Menor, sobre ?subtração de criança para colocar em novo lar?. Esse crime não prescreve. A dificuldade maior é que o seqüestro ocorreu em 1986, quatro anos antes do estatuto entrar em vigor.

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