Aproximadamente 400 integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) acamparam, durante a madrugada de ontem, em frente à prefeitura de Jardim Alegre, na região central do Paraná. Provenientes do assentamento 8 de Abril (antiga fazenda Sete Mil), naquela região, os manifestantes pedem melhorias na educação e transporte.
De acordo com os sem terra, problemas nas estradas que ligam o assentamento às escolas fizeram com que cerca de 800 alunos do assentamento perdessem muitas aulas ao longo do ano passado.
Segundo a coordenadoria do movimento, os integrantes do assentamento compõem cerca de 40% de toda a população da cidade, mais de 14 mil habitantes.
Com bandeiras, camisetas e faixas, os manifestantes protestavam para se prevenir de problemas enfrentados no ano passado. “Como as aulas estão prestes a começar, não queremos que os assentados que estão matriculados tanto no colégio Estadual Rural José Ruan Marti quanto na Escola Municipal José Clarimundo Filho fiquem, novamente, sem aulas por causa do acesso a essas escolas”, diz um dos integrantes da coordenação do movimento, Valdemar Batista da Silva.
Por falta de acessibilidade, Silva conta que os alunos têm que andar cinco quilômetros para pegar uma condução que os leva até os locais de aula. “É inadmissível. Os alunos tinham que acordar de madrugada para dar tempo de caminhar esses cinco quilômetros e ainda andar outros 25 de ônibus até chegar ao colégio. Como as estradas estão ruins, muitos estudantes não conseguiam chegar a tempo, por isso perdem muitas aulas”, revela.
Silva afirma que o comportamento dos manifestantes em busca dos direitos é vista de forma preconceituosa por outros moradores de Jardim Alegre. “Queremos que a população de Jardim Bonito saiba que nós estamos nada mais do que reivindicando nossos direitos. Somos uma comunidade com muitos agricultores. Nossa atividade traz inúmeros benefícios ao município. Por isso achamos que temos direito de cobrar algumas melhorias. Queremos que a própria Câmara municipal perceba isso”, pede.
Durante a tarde de ontem, os manifestantes foram recebidos pelo prefeito de Jardim Alegre, José Martins de Oliveira (PTB). De acordo com ele, “a prefeitura vai tentar atender, na medida do possível, as reivindicações dos manifestantes. Sabemos que o maior desafio será arrumar a estrada, pois temos algumas dificuldades com os maquinários, mas aos poucos vamos conversando com eles e definindo quais serão nossas ações, bem como os próximos passos”, disse. O prefeito não soube informar em quanto tempo as obras ficariam prontas. As negociações entre as duas partes continuam hoje.



