A seleção brasileira pode se preparar para ver faixas e bandeiras ofensivas nas
arquibancadas, dirigidas, sobretudo, aos jogadores da raça negra. Parte dos
torcedores vai insultar e praticar atos de racismo, apostam os próprios
argentinos. Não que seja algo tão anormal nos campos de futebol, mas o desejo de
manifestações contra os atletas do Brasil ganhou força depois da prisão de
Leandro Desábato, do Quilmes, em São Paulo, há pouco menos de dois meses,
acusado de racismo pelo são-paulino Grafite.

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Os argentinos que
conversaram com a Agência Estado, nestes últimos dias, disseram estar certos de
que haverá provocações de sobra, hostilidades.

Lembram, contudo, que,
para a sorte do Brasil, Grafite não acompanha a delegação em Buenos Aires.
"Seguramente alguns torcedores vão chamar os brasileiros de maricões, de
macacos, vão levar bandeiras, mas, como o Grafite não veio, acho que as
provocações não serão tão grandes", comentou Dario Rodriguez, funcionário de um
serviço de transporte do Aeroporto de Ezeiza.

Brasileiros que vivem em
Buenos Aires pensam do mesmo modo. Sentiram nestes dois meses que a detenção de
Desábato incomodou demais a população, mesmo aqueles que não ligam para futebol
e não sentem o clima de rivalidade entre Brasil e Argentina. "Eles acharam essa
história um grande exagero", contou Diogo Machado, advogado de
Brasília.

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Os atletas não demonstram nenhuma preocupação com a
possibilidade de sofrerem agressões racistas. "Até agora nem se falou nisso",
limitou-se a dizer Ronaldinho Gaúcho, procurando evitar o tema. "Sempre tem
alguma coisa, não há como controlar a torcida", acrescentou o capitão
Cafu.

A seleção de Carlos Alberto Parreira contará com o apoio de dois
mil torcedores, que receberão proteção especial de policiais na chegada e na
saída do Monumental de Nuñez.

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O estádio do River Plate, por sinal, causou
péssima impressão aos jornalistas brasileiros que o conheciam, mas não o
visitavam há bom tempo. Há cadeiras quebradas, paredes rachadas, corredores
sujos e banheiros mal conservados.