Brasília – Para aprimorar os sistemas que evitem prejuízos e acidentes derivados de descargas elétricas, o Grupo de Eletricidade Atmosférica (Elat) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) mapeou a ocorrência de raios em todos os municípios das regiões Sul e Sudeste e em boa parte da Região Centro-Oeste do país.

De acordo com o coordenador do Elat, Osmar Pinto Junior, o estudo é importante para que se conheçam as especificidades de cada região. ?Técnicas de proteção poderão ser adequadas a cada região do país. Sabemos que no Brasil há uma grande incidência de raios, mas sabemos também que existem grandes diferenças de uma região para outra.?

Os sistemas de proteção não se restringem à utilização de pára-raios nas edificações. Também são utilizados componentes eletroeletrônicos para proteger equipamentos e sistemas de proteção para linhas de transmissão e distribuição de energia elétrica e torres de telefonia.

A longo prazo, o estudo tem o objetivo de monitorar a incidência de raios no Brasil para que no futuro o instituto saiba se as incidências dessas descargas estão diminuindo ou aumentando no país.

?Esse aspecto é bastante relevante, principalmente considerando a questão do aquecimento global que preocupa a todos nós. O raio é um fenômeno natural que permite monitorar de forma precisa se realmente o país está sofrendo as conseqüências desse aquecimento e, se estiver, onde ele ocorre?, disse o coordenador.

No Brasil, os raios provocam 100 mortes por ano em média e atingem cerca de 500 pessoas. Os prejuízos causados chegam a R$ 1 bilhão. Somente em 2007, já foram registradas 18 mortes, oito delas no estado de São Paulo. O coordenador do Elat explicou que a maior ocorrência de mortes é em São Paulo, devido à alta densidade populacional do estado.

?Dessas 100 mortes registradas em média, 40% ocorrem em São Paulo, pois além da alta densidade de descarga, apresenta uma alta densidade populacional, cerca de 25% dos brasileiros, ou seja, uma em cada quatro pessoas residem no estado?, explicou Osmar Pinto Junior.

Os raios também foram responsáveis por outros problemas no país, entre eles a interrupção no fornecimento de energia elétrica na Região Nordeste, explosão de tanques de combustíveis no Sul. Os raios também provocam danos a equipamentos de aeroportos no Sudeste, prejudicando o seu funcionamento.

O estudo do Elat foi realizado a partir do número de ocorrência de raios em relação ao tamanho dos municípios. Das cerca de três mil localidades analisadas, o município paulista de São Caetano do Sul foi o que apresentou a maior densidade de raios com 12,153 incidências por quilômetro quadrado.

Em números absolutos, Corumbá em Mato Grosso do Sul apresentou o maior número de raios. No total foram 568.405 raios no período analisado. Os dados do estudo são da Rede Brasileira de Detecção de Descargas Atmosféricas (BrasilDAT).

O primeiro relatório foi divulgado em 2005 e continha informações sobre os municípios da Região Sudeste. No ano passado, o estudo englobou os municípios da Região Sul e parte do Centro-Oeste. Para os próximos estudos a serem divulgados a cada dois anos, Osmar Pinto Junior disse que a intenção é aperfeiçoar a rede de captação dos dados e incluir as regiões Norte e Nordeste.