O vazamento de dados nele contidos, e não o próprio dossiê (ou que outro nome queiram lhe dar) sobre as despesas com cartões corporativos no governo Fernando Henrique Cardoso está dando causa a um inquérito promovido pela Polícia Federal (PF). A própria ministra-chefe da Casa Civil Dilma Rousseff, personalidade na qual têm sido focadas as acusações de chantagem contra a oposição com a formação do referido dossiê que anularia investigações sobre despesas no governo Lula, pediu o inquérito. Foi movida por sugestão do ministro da Justiça, Tarso Genro.

O crime não estaria na feitura do dossiê, nem em supostos gastos desarrazoados com dinheiro do povo, neste e no governo passado, mas no vazamento de tais informações que chegaram ao público e ao Congresso Nacional. Quem deu com a língua nos dentes? É o que se quer saber.

O ministro da Justiça divulgou nota informando que encaminhou à Polícia Federal a solicitação da ministra. O inquérito foi determinado por Romero Luciano Lucena de Menezes, diretor-geral da PF. A ministra Dilma admite que pode haver crime de violação de sigilo funcional. Em nota, Tarso Genro afirma que existe ?fundamento? para a solicitação da ministra.

Diz ele, na nota: ?A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, solicitou ao ministro da Justiça, Tarso Genro, que verificasse a pertinência de solicitar abertura de inquérito policial à Polícia Federal, tendo em vista a possibilidade de crime de violação de sigilo funciona previsto no art. 325 do código Penal Brasileiro, considerando que tal infração penal atentaria contra os interesses da União, art. 144, § 1.º  I, da Constituição Federal.?

Os gastos com cartões de crédito corporativo e dinheiro das chamadas contas B, despesas que comprovadamente foram feitas por algumas autoridades de forma desbragada, pagando até churrascadas, cabeleireiros e despesas em lojas sem impostos de aeroportos internacionais, além de aluguéis de carros e presentes, ao que parece não serão esclarecidos. E muito menos punidos.

Ocorreram tanto neste, como no governo passado. Fernando Henrique Cardoso, desde que se referiam aos gastos feitos por ele, sua esposa, dona Ruth, e seus auxiliares diretos, tomou uma posição aberta. Pediu que o investigassem. O mesmo aconteceu com o senador Arthur Virgílio, líder do PSDB no Senado Federal, que foi ministro de FHC. Ele mais do que pede, exige que seus gastos sejam esmiuçados e revelados. Não quer sigilo.

Ao contrário, os atuais dirigentes do País fazem tudo para manter o sigilo, considerando inclusive o vazamento de informações ato ilegal e que pede inquérito federal. Não se busca dar satisfações ao povo, mas blindar Dilma Rousseff, candidata a candidata à Presidência da República e o próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Como bem disse o presidente do Senado Federal, Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), interessado na recuperação do prestígio daquela casa de leis, embora o problema com suas inúmeras facetas criem empecilhos ao bom andamento dos trabalhos, se fazem necessários e até se impõem. Mas seu diagnóstico é correto quando diz que as forças situacionistas e oposicionistas estão antecipando o embate eleitoral. Ele se refere ao embate que se travará este ano, com a eleição dos novos prefeitos. Mas, na verdade, tudo está sendo um ensaio do que poderá vir na disputa pela Presidência da República, em 2010.

Já estão sendo visados, nessa questão dos cartões e do dossiê, tanto a candidata a candidata Dilma Rousseff, como o presidente Lula, que há quem cogite mudar a Constituição para tornar possível um terceiro mandato, e as forças oposicionistas que procuram forças e candidato para enfrentar o rolo compressor do condomínio situacionista.