Mais que o processo de desmilitarização do setor, o governo está preocupado com o reflexo do racha entre controladores e oficiais da Aeronáutica para a segurança de vôo no País. Segundo o presidente da Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero), brigadeiro José Carlos Pereira, o principal objetivo das autoridades agora é manter o bom funcionamento do sistema. "Os controladores não podem trabalhar sob stress, pois o risco para a população pode ser grande", disse ele, após audiência pública sobre as obras na pista do Aeroporto de Congonhas.

Pereira comparou a crise a uma briga de casal. "Precisamos administrar a briga de casal que poderá acontecer entre a Força Aérea Brasileira e esses controladores, depois da greve de sexta. Vamos estudar direitinho como os dois lados vão conviver nesse período de transição." A crise se acirrou sexta-feira, resultado de um motim de operadores que paralisou o espaço aéreo por cinco horas. O comandante da Força, Juniti Saito, ordenou a prisão dos amotinados do centro de controle aéreo de Brasília (Cindacta-1), mas recuou depois da intervenção direta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Lula abortou a hipótese de qualquer medida drástica e mandou que fossem abertas negociações.

O governo se comprometeu a iniciar o processo de desmilitarização do controle aéreo, pagar uma gratificação emergencial à categoria e rever a transferência e punição dos controladores envolvidos no protesto. Mas ontem o próprio Pereira admitiu que a transição para o sistema civil poderá levar até seis anos. O problema, segundo o brigadeiro, não está só na transferência dos 2.200 controladores militares para o âmbito civil, mas sim de toda a infra-estrutura necessária para o funcionamento do sistema.