Não há no horizonte imediato da economia brasileira nenhum indício de pressão inflacionária, tendo em vista que a melhora relativa do mercado de trabalho nos dois últimos anos possibilitará apenas modestos reajustes de preços nos setores de alimentos, bebidas, calçados, roupas e serviços.
A percepção é de empresários dos segmentos envolvidos, os de maior sensibilidade frente aos fatores de recomposição do emprego e da renda. Diante disso, analistas da economia revelam que o impacto sobre os índices de inflação serão modestos, não havendo razões para sobressaltos, pois a recuperação da renda está apenas começando.
Empresários do setor admitiram um ganho de produtividade razoável, embora no conjunto seja esse o elo da cadeia industrial de maior capacidade ociosa. Outro indício contrário à estimativa de pressão inflacionária está na leve tendência de elevação pontual dos custos, restrita a poucos itens, sem potencial para supor uma situação generalizada.
Nem mesmo o preço dos serviços e bens semi e não duráveis, cujo comportamento não apresentou atropelos nos últimos meses, deve contribuir para o aumento da inflação daqui em diante. Assim, dizem os economistas que não se deve temer a inflação e sim apostar todas as fichas no crescimento real do País.
A conclusão é que pouco adianta ter um crescimento do número de empregos se esse avanço não for acompanhado do crescimento da renda real média dos trabalhadores assalariados.
Professor da USP, o economista Heron do Carmo assinalou que dez anos depois da adoção do real persistem fatores econômicos que possibilitam à inflação passada alimentar a inflação futura. A indexação de contratos importantes, como os de energia elétrica e telecomunicações, ao Índice Geral de Preços (IGP) é um dos fatores que alimentam a inércia inflacionária, assim como o reajuste de salários por índices passados.
A pergunta insistente é se vale a pena manter a política de juros elevados para quebrar a inércia.


