A inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor – Semanal (IPC-S) caiu para 0,06% no período encerrado em 7 de agosto, ante 0,13% na semana anterior. Segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV), houve menor impacto do reajuste de telefonia no varejo, além de deflação nos preços dos alimentos e promoções relacionadas à coleção outono/inverno nas lojas. A taxa divulgada nesta segunda-feira surpreendeu o mercado financeiro, que esperava resultado entre 0,12% a 0,20%.
Para o economista da FGV, André Braz, os recentes resultados favoráveis na inflação do varejo, medidos por indicadores como o IPC-S, são fatores positivos para a próxima reunião do Conselho de Política Monetária (Copom) – que decidirá pela manutenção ou não da taxa básica de juros (Selic) em 19 75%.
"Com certeza eles (o Banco Central) estão atentos a isso", disse. Braz não descartou a possibilidade de que o bom comportamento da inflação do varejo, aliado a outros indicadores favoráveis de macroeconomia, possam conduzir a um cenário de redução de juros.
O economista explicou que a taxa semanal foi puxada para baixo por conta da variação dos grupos de Vestuário (de -0,91% para -1,66%), Alimentação (de -0,64% para -0,65%) e Habitação (de 0,72% para 0,63%).
Nesse último grupo, além da menor influência do aumento de telefonia fixa (de 4,25% para 4,04%), também ocorreram quedas de preço, como em produtos de mobiliário (-0,74%); e roupas de cama, mesa e banho (-1,27%).
Mesmo com o bom resultado, é possível que IPC-S volte a subir ao longo do mês de agosto. "Mas se houver um ajuste para cima, não será nada muito forte, nada muito diferente do patamar atual. A inflação no varejo está sob controle", afirmou Braz. Para o economista, os comportamentos nos preços de alimentos e vestuário serão decisivos para definir os rumos do IPC-S esse mês.
Ele explicou que não há como saber até quando continuarão as promoções nas lojas, relacionadas à coleção outono/inverno, que atualmente estão puxando para baixo os preços do vestuário. Além disso, o atual comportamento favorável nos preços dos alimentos pode não ser sustentável.
"O fato é que muitos alimentos, atualmente em época de entressafra, deveriam estar subindo no varejo, mas isso não está acontecendo", disse Braz. Para o economista, os preços dos alimentos podem reverter a tendência atual de recuo.


