São Paulo – Depois de refletir incertezas sobre os rumos da economia brasileira, em julho, o ânimo dos empresários da indústria melhorou no início de outubro. Mas o setor ainda está cauteloso quanto à decisão de investir mais na produção, como aponta o resultado prévio da Sondagem Conjuntural da Indústria de Transformação, realizada pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

A pesquisa é realizada trimestralmente e os dados divulgados hoje (13) refletem a avaliação coletada de 29 de setembro a 10 de outubro, entre representantes de 417 empresas de 24 estados. A grande maioria é de médio e grande porte e soma um faturamento de R$ 179 bilhões.

À indagação sobre a situação atual dos negócios, as respostas demonstraram um certo equilíbrio, ao contrário da pesquisa anterior, quando um número bem maior classificou a situação como fraca. Em julho, 37% dos pesquisados consideravam o quadro desfavorável aos negócios, contra 14% que se mostravam animados. Neste mês, 22% avaliam como fraca a situação que, para 21% dos entrevistados, é boa.

De acordo com a pesquisa, as empresas estão conseguindo escoar mais as suas mercadorias. Foram mantidas em 2% as respostas que revelam haver estoques insuficientes e caiu de 19% para 13% o percentual das que informam existir excesso de estoques. No cruzamento dos dados, é possível constatar que as indústrias de fato passaram a vender mais: caiu de 34% para 21% o total dos que apontaram nível fraco de demanda, e o dos que avaliaram o período como de forte de demanda aumentou de 9% para 11%.

Outros sinalizadores da tendência de crescimento são as projeções para os próximos três meses: subiu de 21% para 24% o total das que indicaram que contratarão mais empregados, enquanto o das que pretendem enxugar o quadro caiu de 22% para 16%. "Esse é o terceiro melhor resultado nas decisões sobre geração de emprego dos últimos sete anos", analisou o economista Aloísio Campelo, coordenador da pesquisa. Ele lembrou que as previsões de criar postos de trabalho só foram superadas em 2004 e em 2000, períodos de forte aquecimento da economia brasileira.

Segundo Campelo, os levantamentos realizados pelo Ibre indicavam desaceleração desde o começo do ano e em julho, "o fundo do poço". Apesar da melhoria em outubro, ele avaliou que ainda se pode perceber "um grau de insatisfação" por parte das empresas, provocado pelo aumento no custo dos empréstimos sobre o capital de giro, no curto prazo, e sobre os investimentos, no médio e longo prazo.

O levantamento do Ibre também mostra cautela quando a decisão é por ampliar a produção ? 38% responderam afirmativamente, contra 45% na pesquisa anterior. Na mesma base de comparação, cresceu de 19% para 28% o total dos que projetaram redução.