O ritmo de atividade da indústria e do comércio começou o segundo semestre com o freio de mão puxado. Há fabricantes de TVs e fogões dando férias coletivas neste mês para enxugar os estoques no comércio e nas fábricas.

Uma conjugação negativa de fatores, como juros reais elevados, crise agrícola, perda de dinamismo do setor exportador e aumento da inadimplência, jogou um balde de água fria nas expectativas positivas dos empresários para este semestre. Eles apostavam que a Copa do Mundo, seguida das eleições, e o impacto da redução dos juros básicos, iniciada em setembro do ano passado iriam desembocar no aquecimento significativo das vendas na virada do segundo semestre.

Na prática, o ritmo de produção e vendas de julho e agosto indica que a expansão de 4% do Produto Interno Bruto (PIB), prevista pelo governo para 2006 é cada vez mais uma miragem. Em junho, a produção da indústria medida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) recuou 1,7% na comparação com maio, descontados os efeitos típicos do período, por causa do menor número de dias úteis e as paralisações provocadas pela Copa e pelos ataques do PCC.

Neste mês, houve reação positiva em relação a junho e julho, dizem os empresários, mas ainda insuficiente para elevar a produção ao nível inicialmente previsto. Por isso, as consultorias reduzem as projeções tanto de produção industrial como do PIB deste ano. O mercado já trabalha com a previsão de crescimento de 3,5%, segundo o Boletim Focus do Banco Central. Há quem acredite que o PIB cresça 3%.