Brasília – O setor industrial brasileiro paga menos pela energia elétrica que o setor residencial. Segundo o professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Luiz Pinguelli Rosa. Pinguelli, ex-presidente da Eletrobrás, as empresas pagam aproximadamente R$ 50 o megawatt-hora. Os consumidores residenciais chegam a desembolsar até R$ 400 pela mesma quantia de energia elétrica.

O presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, explica que, historicamente, sempre existiu um subsídio cruzado no Brasil. ?As tarifas do setor residencial são mais altas de maneira a subsidiar o setor industrial. Desde 2003, esse subsídio está sendo paulatinamente eliminado ao ritmo de 25% ao ano. Então, está havendo aumentos menores no setor residencial e aumentos maiores no setor industrial?.

Outra explicação, dada por Pinguelli para justificar a diferença entre as tarifas, é o fato de as indústrias também terem um custo de produção menor, já que adquirem energia a uma voltagem muito elevada e exigem menos transformadores, rebaixamento, menos rede de distribuição.

?Apesar da lógica, acho que é excessiva essa diferença de preço?, afirma Pinguelli. Ele sugere que o assunto seja discutido, aproveitando-se momento eleitoral do país. Na avaliação dele, o governo deveria fazer o mesmo que fez com o petróleo, ou seja, aproveitar as empresas federais para atrair investimentos para o setor elétrico.

Veja as etapas de produção da energia elétrica

Para explicar como é cobrada a energia elétrica, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) publicou um exemplo em sua página na internet. No exemplo, um cidadão que consumiu 183 quilowatts em um mês (pagando cerca de R$ 0,54 por quilowatt) pagou R$ 100 de conta de luz. Essa conta é dividida da seguinte maneira:

Etapa 1: Para produzir a energia elétrica, no caso da hidrelétrica, por exemplo, o consumidor paga 37,95% do valor total da conta de luz.

Etapa 2: Na etapa da transmissão, que é o deslocamento da energia pelas linhas de transmissão da hidrelétrica para as concessionárias, o consumidor paga 4,56%.

Etapa 3: Quando a energia chega nas concessionárias, vem a etapa da distribuição. Por esse serviço, o consumidor paga 30,18% mais os encargos setoriais no valor de 7,83% da tarifa final.

Etapa 4: Cada região cobra, ainda, os seus tributos. No exemplo da Aneel, o custo dos tributos é de 19,48% no valor final da conta.

Etapa 5: No preço da luz está embutido ainda a contribuição de Iluminação Pública. No exemplo do governo, o valor fixado foi de R$ 3,83.

Valor total da conta de luz: R$ 100,00 mais R$ 3,83 = R$ 103,83.