Desde que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) tomou a iniciativa de acompanhar o desempenho da indústria, há cinco anos, os índices apurados no último mês de agosto atingiram sua marca mensal mais alvissareira. Segundo a pesquisa, metade das empresas catalogadas para a investigação quebrou o recorde de produção. Além dessa medição ilustrativa da mudança de rumos há muito esperada, a Fundação Getúlio Vargas (FGV) mostrou recentemente outra faceta do mesmo quadro, já comentada neste espaço, ao constatar o aumento da utilização da capacidade instalada dos grandes complexos industriais do País.

Para os especialistas em desenvolvimento industrial, os aumentos da utilização da capacidade instalada e do andamento médio da produção, os maiores em cinco anos, devem ser recebidos com todo o entusiasmo, tendo em vista a realidade um tanto remota de o setor industrial vir a sofrer o impacto de pressões inflacionárias nos próximos meses.

A relativa tranqüilidade dos analistas repousa no fato que a inflação dos preços industriais foi de 3% no último período de 12 meses. Contudo, o lastro principal do avanço está na resposta positiva dos investimentos realizados desde 2006, que atualmente se traduzem em números afirmativos e na perspectiva de uma curva ascendente de bons resultados.

Os setores industriais de metalurgia, materiais de transporte e construção civil e a indústria de bens de capital – entre outros – são os pontos altos da escalada da produção industrial medida pelo IBGE. A conclusão lógica é que a indústria brasileira vai continuar abrindo novos empregos com carteira assinada, absorvendo cada vez mais a mão-de-obra ainda à espera da oportunidade de ingressar no mercado de trabalho.

Com relação ao movimento estimado para o final do ano, a indústria está preparada para vender entre 10% e 30% a mais que no ano passado, não cogitando a preocupação com a eventual falta de matéria-prima para atender pedidos de última hora. Com o crescimento da massa salarial, outro indicador convincente da retomada do crescimento econômico, o varejo antecipou as encomendas, puxado pela disponibilidade de crédito e o bom desempenho das vendas nos nove meses passados.

Faz muito tempo que as classes sociais de renda média e inferior ansiavam pela prometida melhoria de vida.