Um grupo de 54 índios awá-guarani, que vive na reserva Santa Rosa do Ocuí, em São Miguel do Iguaçu, no oeste do Estado do Paraná, invadiu uma parte do Parque Nacional do Iguaçu, onde montou acampamento e defende o local com arcos e flechas. A invasão começou na madrugada de domingo (4), porém, somente nesta terça-feira uma comissão formada por integrantes do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (Ibama), Polícia Federal, Polícia Florestal e Fundação Nacional do Índio (Funai) esteve no local. Os índios querem chamar a atenção sobre a necessidade de uma área maior para plantar.

De acordo com o chefe do parque, Jorge Pegoraro, cerca de 70% dos invasores são mulheres e crianças. Eles montaram sete barracas a cerca de 500 metros do limite do parque e cortaram algumas árvores mais finas, além de abrirem uma trilha. Segundo Pegoraro, o grupo tem comida e garante que só deixará a área quando houver uma decisão da Funai e de Itaipu sobre suas terras. Atualmente eles estão em uma área às margens do Lago de Itaipu. O departamento jurídico do Ibama já foi acionado para pedir a reintegração de posse. A Procuradoria da República também foi comunicada.

Pegoraro disse que o cacique Simão Tupã Vilalba, líder do grupo, reclama que as terras que eles têm são insuficientes para o número crescente de indígenas. De acordo com ele, seriam cerca de 680 índios para 231 hectares de terra. No local, eles cultivam milho, mandioca, feijão e arroz. "Nós reconhecemos o direito que eles têm, mas não podemos permitir que isso aconteça em unidade de conservação protegida pelo próprio governo federal", defendeu o chefe do parque. Ele garantiu, no entanto, que não haverá violência. Ele afirmou que obteve do cacique a garantia de que a área do acampamento não será ampliada.