O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) vai assentar cem famílias do Movimento dos Sem-Terra (MST) numa área de 7,7 mil hectares coberta pela Mata Atlântica. O órgão federal desapropriou a Fazenda Vitória, em Apiaí, no Vale do Ribeira, a 326 quilômetros de São Paulo, para a instalação do assentamento. A posse do imóvel está marcada para o dia 28 de julho. Os sem-terra já estão acampados na entrada da propriedade. A fazenda fica no entorno do Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira (Petar) e faz parte do continuum do Vale do Ribeira, o maior maciço dessa floresta no País, considerado Reserva da Biosfera. A Mata Atlântica é protegida por leis federais por ser um dos ecossistemas mais ameaçados do mundo. O Petar abriga ainda o principal conjunto de grutas e cavernas do Brasil – algumas delas, no Núcleo Santana, abertas ao ecoturismo. O Incra desembolsou R$ 7,7 milhões pela terra com as benfeitorias, e ainda não se sabe quanto vai investir no assentamento. O órgão promete desenvolver um Projeto de Desenvolvimento Sustentável (PDS), em que as famílias realizem programas de geração de renda sem destruir a mata

A Secretaria de Meio Ambiente do Estado de São Paulo é contra o projeto. Um laudo elaborado pelo Departamento Estadual de Proteção dos Recursos Naturais (DEPRN) mostra que 80% da fazenda é coberta por vegetação nativa da Mata Atlântica, cuja supressão é impossibilitada pelas leis existentes. Cerca de 60% dos solos são impróprios para a agricultura, em grau máximo. Uma incursão pelas terras mostra por que antigos projetos de exploração agrícola do local fracassaram. A fazenda fica nas encostas da Serra de Paranapiacaba e o terreno é muito acidentado. A terra, escura e arenosa, com muita turfa, fica encharcada e fofa quando chove. Do espigão do Morro da Bandeira, o ponto mais alto da fazenda, com 1.180 metros de altitude, é possível avistar grande parte do Petar