A implosão de hoje de uma das arquibancadas do Estádio de Remo da Lagoa criou mais uma polêmica na preparação do Rio à realização dos Jogos Pan-Americanos de 2007. O governo do Estado responsável pelas obras no local onde ocorrerão as provas de remo, canoagem e esqui aquático, vai sofrer uma ação do Ministério Público Estadual (MPE) por ter destruído um bem público supostamente tombado.

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A nova batalha judicial em obras do Pan-Americano de 2007 começou porque o local é tombado por duas vezes. O tombamento do Estádio de Remo da Lagoa ocorreu em 2005, via câmara municipal, durante uma polêmica discussão sobre um projeto de revitalização. Já a Lagoa Rodrigo de Freitas e sua área de entorno é tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), desde 1990.

?O MPE vai entrar com uma ação de responsabilização pelo crime de desobediência à ordem judicial, de dano ao bem tombado, além de improbidade administrativa?, informou a promotora Denise Tarin. O órgão chegou a enviar um oficial de Justiça nesta quarta pela manhã à Lagoa para impedir a implosão, mas o procurador-geral do Estado, Francesco Conte, autorizou a detonação dos 60 quilos de dinamite.

O engenheiro da Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano responsável pela operação, Renan Doyle, explicou que a construção implodida não integra o conjunto arquitetônico tombado e, por isso, a explosão ocorreu, inclusive sob autorização da prefeitura do Rio. ?Criaram uma grande confusão. A arquibancada tombada é a do lado, que tem traços de arquitetura moderna para a época. Essa que destruímos é uma convencional de concreto armado?, destacou.

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Doyle contou que a remoção dos lugares aconteceu para atender um pedido da Organização Desportiva Pan-Americana (Odepa) – órgão internacional promotor dos Jogos. A entidade internacional realizou um estudo e concluiu que a antiga estrutura não permitia a visibilidade completa da Lagoa Rodrigo de Freitas. A arquibancada precisaria ser elevada em 1,5 metro.

Francesco Conte afirmou que a notificação deveria ter sido feita diretamente à procuradoria. Como o oficial de Justiça se dirigiu direto ao Estádio de Remo, o governo estadual não foi notificado oficialmente. Por isso, alegou não ter atuado irregularmente.

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?A questão das obras está coberta por uma decisão (favorável) da 10.ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça que exigiu do Estado – e recebeu – cronograma das obras do Estádio de Remo da Lagoa. O primeiro item do cronograma é a demolição da arquibancada n.º 2? justificou o procurador-geral do estado.

Para esta quinta-feira foi marcada a licitação para a escolha da empresa que erguerá a nova arquibancada. O estado previu um investimento de R$ 11 milhões na recuperação do Estádio de Remo e a na dragagem da Lagoa Rodrigo de Freitas com o objetivo de torná-los aptos à realização dos jogos continentais.