Quando os problemas começam a sair do controle dos executivos, o mais indicado é chamar o pessoal do departamento de marketing. Afinal, uma política equilibrada de comunicação social e uma publicidade inteligente, que não requer nenhuma sacada de gênio, cooperam em grande medida para ajudar na recuperação da imagem amarfanhada pela admissão de deslizes imperdoáveis.

É o que está ocorrendo nesse momento com a Siemens AG, poderoso conglomerado alemão de engenharia, ainda sob o efeito devastador do escândalo do pagamento de subornos a autoridades corruptas da Rússia, Nigéria e Líbia. O fato resultou no imediato afastamento do presidente do conselho e do diretor-presidente do grupo, além da multa de 200 milhões de euros imposta pelo governo.

Uma grande campanha publicitária, orçada em 100 milhões de euros (US$ 148 milhões) anuais até 2010, será desencadeada para recuperar a imagem de excelência adquirida numa linha de produção que vai de aparelhos médicos de precisão até trens de alta velocidade.

Arrefecida a onda de ataques e comentários negativos dirigidos ao grupo industrial, publicitários da Ogilvy&Mather, agência contratada para desfazer o baque, acham que a hora é oportuna para lançar nos mercados mais importantes a mensagem que o velho Werner von Siemens, fundador da empresa em 1847, visionário que apregoava a supremacia dos bondes sobre as carruagens, jamais concordou em pisar fora da linha.

O mundo vai se derreter diante da ofensiva de boas intenções disseminada por uma das fortalezas do avanço tecnológico.