Um relatório divulgado hoje pelo Institute of International Finance (IIF) faz uma leitura negativa da dinâmica da economia brasileira, apesar de reconhecer alguns avanços conseguidos nos últimos anos. Além disso, projeta um crescimento do PIB de 3,8% neste ano, e uma desaceleração, em 2008, para 3,5%.

De acordo com o estudo, a performance da economia brasileira em 2006 foi "desapontadora" e reflete problemas estruturais, tais como deficiências regulatórias, um mercado de trabalho rígido, ineficiência judiciária e infra-estrutura inadequada.

A falta de reformas básicas, como a tributária e da previdência, também é apontada como uma das travas para o crescimento brasileiro.

"Será muito mais difícil e improvável atingir um crescimento maior, de 5% ao ano, sem realizar as reformas básicas, como a fiscal, da previdência e do trabalho", afirma o diretor-gerente do IIF, Charles Dallara, que também não vê um efeito duradouro sobre a economia advindo dos projetos contidos no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

"No curto prazo (o impacto do PAC) pode ser significativo, mas, no longo prazo, deve ser mínimo. Hoje em dia, as economias não ganham altitude no longo prazo por causa do investimento estatal. Elas ganham isso por conta de produtividade, investimento e estabilidade financeira".

O relatório do IIF também aponta que o PAC não ataca pontos fundamentais, como a redução da carga tributária, e deixa de lado a realização das reformas.

"O plano reduz o superávit primário do setor público para aumentar o investimento, não reduz a carga tributária, uma restrição chave para aumentar o investimento privado, e falha ao não apontar caminhos para aumentar a flexibilidade orçamentária" escrevem os autores do estudo.

O Instituto, que reúne cerca de 350 bancos de 60 países, também analisou outras economias da América Latina e chegou à conclusão de que o crescimento da região continuará forte, apesar de apontar para uma desaceleração que levará a uma alta de 4,5% neste ano, em comparação com a expansão de 4,9% registrada em 2006.

Para os autores, é particularmente positiva a formação de reservas internacionais na região, que devem atingir US$ 300 bilhões me 2007, de US$ 278 bilhões observados no ano passados, o que trouxe maior segurança às economias dos países latino-americanos.

Esse fato, entretanto, não afasta a possibilidade de que ocorram sérios problemas na região, no caso de uma mudança negativa – ensaiada recentemente com a queda das bolsas na Ásia – no cenário global atual, bastante favorável aos países emergentes.

"Investidores não precisam de um grande choque, mas apenas de um médio para se moverem cada vez mais em direção aos Treasuries e saírem de títulos de países com o Brasil", adverte Dallara.