Católicas, ortodoxas, presbiterianas e luteranas, entre outras igrejas cristãs brasileias, aderem a partir de hoje (21) à Campanha do Desarmamento. Elas abrirão as suas portas em todo o país para a entrega voluntária de armas de fogo.

O objetivo do evento é arrecadar 100 mil armas, nos cerca de 300 "novos postos" da campanha. A ação conta com a parceria da Polícia Federal e da organização não-governamental Viva Rio.

A Campanha do Desarmamento, lançada pelo governo federal em julho do ano passado, já recolheu cerca de 300 mil armas de fogo em todo o país.

"Muitas pessoas se sentem mais confiantes em entregar suas armas em igrejas do que nas delegacias de polícia. Esse motivo se fortalece, quando observamos que de cada 10 armas entregues, nove são ilegais", afirma o pastor luterano Ervino Schmidt.

Já o frei Gabriele Cipriani ressalta que "o desarmamento é um assunto espiritual". Ele afirma que essa ação ecumênica poderá construir uma cultura de paz. "Quem deixa uma arma em casa, deixou que ela entrasse primeiro em sua alma", argumenta.

Um dos organizadores do evento, Antonio Rangel, do movimento Viva Rio, ressalta que a Campanha do Desarmamento recebe críticas "porque desarma os cidadãos de bem, e não os criminosos". No entanto, ele revela que esta é uma interpretação errada. "A campanha busca diminuir o número de acidentes, mortes em brigas entre parentes e suicídios. Só os acidentes são responsáveis por um terço das hospitalizações relacionadas a armas de fogo", diz Rangel.