Rio – A primeira prévia do Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) de dezembro subiu apenas 0,06%, resultado quase três vezes inferior ao registrado na prévia de novembro (0,16%). Segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV), a queda nos preços dos combustíveis e lubrificantes no atacado (-0,70%) levou ao resultado. Para a FGV, a taxa menor na prévia reforçou as expectativas de que o IGP-M de dezembro possa fechar o mês abaixo de 0,50% – condição necessária para que a taxa anual do IGP-M de 2005, usada para reajustar aluguéis, seja a menor da história do indicador, iniciada em 1989.
Até a primeira prévia de dezembro, o IGP-M acumula no ano alta de 1,28%. Embora sem fazer previsões numéricas sobre o fechamento do indicador em dezembro, o coordenador de Análises Econômicas da FGV, Salomão Quadros, considerou que são boas as condições para uma taxa reduzida no IGP-M de 2005. Ele lembrou que, atualmente, a menor taxa anual do índice é a de 1998 (1 78%). "Não dá para dizer com certeza qual patamar o IGP-M (de dezembro) vai fechar, mas o cenário é favorável", disse.
Ao comentar sobre a prévia anunciada hoje, Quadros explicou que a queda nos preços dos combustíveis levou à deflação dos preços do atacado, que caíram 0,07% na prévia de dezembro, ante aumento de 0,13% em igual prévia em novembro. Os preços no atacado são os de maior peso na formação da taxa do IGP-M. No setor de combustíveis, os destaques foram as taxas negativas nos preços em querosene para motores (-21,79%) e diesel (-0,54%). "Esses combustíveis têm grande peso na formação da inflação no atacado" disse o economista. Ele observou que a recente queda nos preços dos combustíveis no atacado, principalmente querosene para motores, pode continuar ao longo de dezembro. Na avaliação dele, isso poderia ser mais uma condição favorável a puxar para baixo a inflação no último mês do ano.
Além dos combustíveis, a prévia de dezembro também foi beneficiada pela deflação nos preços dos produtos agrícolas no atacado (-0,22%), principalmente café (-0,76%). "O preço do café estava subindo muito na primeira prévia de novembro (8,43%) mas agora está se regularizando", afirmou.
O bom comportamento dos preços no atacado conteve a alta de preços no varejo. Os preços ao consumidor subiram 0,34% na prévia de dezembro, ante aumento de 0,22% na prévia de novembro. "Mas esse resultado foi causado por influências sazonais", disse o economista, informando que a inflação no varejo foi puxada para cima por elevações passageiras em hortaliças e legumes (7 48%) e tarifa de eletricidade residencial (1,47%). Já os preços na construção civil aceleraram de 0,17% para 0,21%, da prévia de novembro para a de dezembro.


