O mercado de juros abre os negócios hoje dividido entre dois indicadores que apontam para sentidos opostos: a inflação pelo IGP-DI e a produção industrial do IBGE. O Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) de outubro mostrou uma inflação bem mais salgada do que esperava o mercado: a taxa ficou em 0,81%, ante 0,24% em setembro, acima do teto das estimativas, que variavam entre 0,45% e 0,55%. A taxa é a mais alta desde março de 2005, quando a inflação avançou 0,99%.

Por outro lado, o resultado da produção industrial contrariou as expectativas e mostrou, mais uma vez, fraqueza em setembro. A produção caiu 1,4% em relação a agosto, ante previsões que oscilavam entre -1,2% e -0,2%, e teve crescimento de 1,3% em relação a setembro do ano passado, também abaixo do piso das estimativas (+1,4% a +3%).

Além de vir abaixo do piso das previsões dos analistas, os números contrariam a indicação dada ontem pela Confederação Nacional da Indústria de que haveria recuperação do ritmo de crescimento da indústria. E, desta vez, os números do IBGE apresentam também queda no nível do investimento: o segmento de bens de capital mostrou queda de 2,1% em setembro ante agosto. Nos dois últimos meses, mesmo com o indicador mostrando fraqueza esse setor mostrou crescimento.

Os números deixam dúvidas e, por isso, o mercado aguardará outro indicador, possivelmente o IPCA de outubro, que sai na sexta-feira. Hoje, o mercado deve operar "brigando" entre os dois indicadores. "O mercado não havia precificado totalmente o corte de 0,5 ponto percentual da Selic na próxima reunião do Copom e os números de hoje devem manter essa divisão nos preços" observa um operador.