Com a deflação de 0,79% de agosto, o país teve queda de preços pelo quarto mês consecutivo. A contagem é feita pelo Índice Geral de Preços- Disponibilidade Interna (IGP-DI), divulgado, nesta terça-feira, pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).

A seqüência de queda de preços é a principal desde 1998, segundo Salomão Quadros, do coordenador de Análises Econômicas da FGV.

Segundo o economista, a forte queda em agosto faz com que a FGV espera mais uma deflação em setembro. Quadros cita outros fatores, como o setor siderúrgico que, além de grande ter um peso importante no Índice, vem respondendo às variações de preços do mercado internacional.

Salomão Quadros informou que o preço do aço no mercado internacional já caiu, em média, este ano, mais de 10%. Outro produto que tem variação de preços baseada no mercado internacional é a soja que, de acordo com o coordenador, vem apresentando o mesmo comportamento da siderurgia.

"Como esses são segmentos importantes da nossa economia e são segmentos que tem a sua formação de preços muito vinculada ao que se passa no mercado internacional é possível que eles continuem atuando durante algum tempo como forças mantenedoras de uma taxa muito baixa e até negativa", explicou.

Para Salomão Quadros, o Brasil aprendeu a ter deflações, que passaram a ser mais freqüentes na economia do país. Ele afirmou que em 98 (julho a novembro) as taxas negativas vieram acompanhadas de recessão e que de maio a julho de 2003, ela aconteceu junto com a estagnação da economia, embora, não tenha registrado dois trimestres seguidos de queda do Produto Interno Bruto (PIB).

Para Quadros, a deflação que já alcançou quatro meses consecutivos (maio, junho, julho e agosto) em 2005 se apresenta de maneira diferente.

"Pelo IGP-DI já é a que acumulou a maior taxa de queda de preços e é o que tem a menor repercussão em termos de diminuição dos níveis de atividades. O PIB do segundo trimestre, onde a deflação realmente aconteceu, mostrou, até pelo contrário, um reaquecimento da atividade econômica. Então, está podendo ter queda de preço no momento em que a economia se reativa. Essa é a primeira coisa que faz com que a nossa economia passe a ser parecida com as economias do resto do mundo, onde este tipo de reação acontece com de vez em quando", disse.

O economista ressaltou também a importância da queda de preços estar acontecendo nos estágios iniciais de produção, como nas matérias primas e nos insumos para a indústria, que segundo ele, está beneficiando o consumidor.

"Está tendo uma transmissão mais completa ao longo da cadeia produtiva. Isso dá um sinal de que nosso sistema de preços está funcionando dentro de uma forma mais flexível, está abandonando àquela rigidez maior da indexação, da inércia. Está sendo uma economia que reage rapidamente às mudanças", completou.