O Índice Geral de Preços – 10 (IGP-10) apontou deflação pela quinta vez consecutiva, registrando neste mês um recuo de preços de 0,69%, ante -0,52% em agosto. Foi a quarta queda seguida nesse índice – sendo que, em maio, o indicador teve variação zero.

Quedas expressivas nos preços dos alimentos no atacado, aliadas a uma redução generalizada nos preços do varejo, levaram à taxa negativa, informou, nesta quinta-feira, a Fundação Getúlio Vargas (FGV). Com o resultado de setembro, esse é o ciclo mais intenso de deflação acumulada na história do IGP-10, criado em 1993.

O período de coleta de preços do índice desse mês vai do dia 11 de agosto a 10 de setembro. Por isso, o indicador ainda não sofreu impacto do aumento nos preços da gasolina e do óleo diesel anunciados pela Petrobras, em vigor desde o dia 10 deste mês – o último dia de captação do índice.

"Ter uma quinta deflação consecutiva no indicador em outubro eu acho mais difícil, porque o próximo IGP-10 vai pegar o impacto pleno dos reajustes na gasolina e no diesel", avaliou o coordenador de Análises Econômicas da FGV, Salomão Quadros.

Mas o economista considerou que, no cenário atual, a inflação permanece sob controle e com perspectivas favoráveis. Neste contexto, o coordenador comentou a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de reduzir a taxa básica de juros (Selic) em 0,25 ponto percentual, para 19,50%, essa semana. "Já estava mais do que na hora", disse.

No IGP-10 de setembro, os preços do atacado caíram 0,91% ante -0,78% em agosto. Houve deflações expressivas nos alimentos in natura (-10,98%) e alimentos processados (-1,81%), o que derrubou os preços dos produtos agrícolas (de -1,56% para -3,02%), de agosto para setembro. "Atualmente, há melhor oferta de itens agrícolas, que estão sendo beneficiados por clima favorável, puxando para baixo os preços no atacado", explicou Quadros.

O técnico observou que o cenário não é o mesmo nos produtos industriais no atacado (de -0,52% para -0,23%). Isso porque o impacto benéfico da valorização cambial na inflação, que puxou para baixo os preços de vários itens industriais relacionados ao dólar, tem perdido a força.

 "Não estou querendo dizer que agora o câmbio não tem influência nenhuma. É claro que há ainda alguma coisa de câmbio na inflação. Mas o que puxa mesmo o processo de deflação são fatores setoriais", afirmou, lembrando a boa oferta atual de alimentos.

No varejo, os preços caíram 0,36% no indicador de setembro, ante -0,07% em agosto. Foi a deflação mais intensa nos preços ao consumidor desde setembro de 1998. Dos sete grupos que compõem a inflação do varejo, seis apresentaram recuo de preços, na passagem do IGP-10 de agosto para o índice de setembro. Entre os destaques estão os recuos nos preços dos alimentos (de -0,96% para -1,61%) e habitação (de 0,47% para 0,17%).

Por fim, os preços na construção civil registraram variação zero em setembro, ante alta de 0,09% em agosto. O IGP-10 acumula elevações de 0,57% no ano e de 2,42% em 12 meses.