Brasília – O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Murilo Portugal deixou claro (13) que a proposta da área econômica de definir um ajuste fiscal de longo prazo não está morta, apesar das críticas que a idéia recebeu da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. "Essa é uma discussão que, em algum momento, o Brasil terá que fazer. A posição do Ministério da Fazenda é conhecida. É uma posição em que há menos divergências do que parece", disse Portugal, durante seminário na Confederação Nacional da Indústria (CNI) para discutir a agenda de reformas microeconômicas.

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Portugal disse que fixar limites na lei para as despesas correntes do governo seria um elemento importante desse plano de ajuste. Mas, ao ser questionado se a discussão do programa poderia ser concluída ainda no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ele foi cauteloso. Para Portugal, esse debate envolve toda a sociedade e exige tempo.

O secretário afirmou que não vê conflito entre estabilidade macroeconômica e crescimento da economia. Segundo ele, a estabilidade é uma condição necessária, embora não suficiente, para que o País possa crescer. O controle da inflação, observou, traz grandes benefícios para a sociedade, ao proteger a poupança e a renda dos trabalhadores, além de reduzir as incertezas dos empresários.

Murilo Portugal disse também que as reformas microeconômicas são importantes para melhorar o ambiente para os negócios e permitir que o País cresça de forma sustentável. Por isso, são consideradas prioritárias pelo Ministério da Fazenda.

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Na sua exposição, ele fez um longo relato dos avanços da economia brasileira nos últimos anos. Lembrou que a inflação vem caindo há mais de uma década e disse que, nos momentos em que ela ameaçou subir de novo, como no ano passado, o governo soube tomar medidas para recolocá-la na trajetória de queda.

Ele destacou ainda a redução substancial da vulnerabilidade externa com as mudanças estruturais feitas na economia e a implantação do regime de câmbio flutuante. A política cambial, segundo ele, estimulou investimentos na produção de bens comercializáveis e possibilitou o aumento das exportações. E a consolidação fiscal, disse, permitiu gerar superávits primários consistentes, que ajudaram a melhorar a composição da dívida pública.

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