Mais da metade das 50 milhões de residências do país não são atendidas por uma rede pública de esgoto, segundo levantamento feito em 2003 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O governo brasileiro reconhece que este é o maior desafio para alcançar as metas do milênio.

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As oito metas, que deveriam ser atingidas em 2015, foram estabelecidas pelos governos na Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável realizada em 2002 em Johannesburgo, África do Sul. A sétima meta é "Garantir a sustentabilidade ambiental", em que está incluído o atendimento com serviço público de esgoto.

Mas os investimentos que vêm sendo feitos pelo governo são insuficientes para levar o esgotamento sanitário a pelo menos a metade da população desprovida, admitiu, nesta terça-feira, Gilney Viana, secretário de Políticas para o Desenvolvimento Sustentável do Ministério do Meio Ambiente. Gilney participou hoje de encontro no Rio de Janeiro, com empresários e representantes de organizações não-governamentais para avaliar o cumprimento das Metas do Milênio.

"O saneamento é uma das metas mais difíceis para qualquer país em desenvolvimento, porque requer investimentos de grande monta e as obras são invisíveis, mas necessárias do ponto de vista ambiental e também para a saúde pública. Acho até possível chegarmos a 2015 com 100% de cobertura, mas ainda não está visível no horizonte", acrescentou.

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Viana lembrou, no entanto, que o Brasil vem avançando na preservação da biodiversidade, na proteção da camada de ozônio, na melhoria da qualidade da água e também no combate à Aids.

Para o presidente do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável, Fernando Almeida, os avanços conseguidos nos últimos três anos foram insuficientes e "não haverá tempo para recuperar as ações até 2015, quando nova reunião será feita para avaliar a situação do planeta".

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No caso do Brasil, Almeida defendeu uma mudança de rumo das políticas públicas. "As ações têm que ser mais socialmente inclusivas e de uma forma que possam agregar a manutenção dos recursos naturais", acrescentou.

Ainda segundo o empresário, além do saneamento, as metas sobre inclusão social, pobreza e renda também serão difíceis de ser atingidas.

O encontro, no auditório do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) segue até esta quarta-feira com palestras sobre pobreza, fome, inclusão social, recursos naturais e planejamento governamental para o desenvolvimento sustentável.