O Instituto Ambiental do Paraná (IAP) multou, nesta quarta-feira, em R$ 1,5 milhão a empresa América Latina Lojística (ALL) devido aos danos ambientais causados pelo acidente de trem, ocorrido no último dia 28 de março, quando um vagão descarrilou e tombou no quilômetro cinco da ferrovia que liga Curitiba a Paranaguá.

O vagão transportava 350 toneladas de soja, farelo de soja e milho a granel, que atingiram o córrego Caninana, afluente do rio Nhundiaquara, na Serra do Mar. Os rios atingidos estão enquadrados nas Classes Especial e Classe 1, ou seja, são considerados extremamente frágeis e destinados ao abastecimento público.

Segundo laudo emitido pelo IAP, um dos fatores agravantes na aplicação do auto de infração está relacionado à reincidência da empresa. Em 23 de setembro de 2000, um descarrilamento de vagões provocou acidente no mesmo local da atual ocorrência. Nesse acidente houve, também, derramamento de óleo combustível lubrificante das locomotivas.

O relatório também condena o atendimento prestado pela ALL após o acidente, com ênfase para a região que compreende a Área Especial de Interesse Turístico do Marumbi ? (AEIT). Este local abriga os parques Pico do Paraná, Parque Estadual Pico do Marumbi, Parque Estadual da Graciosa, Parque Estadual do Pau-Oco e Parque Estadual Roberto Ribas Langue.

De acordo com o presidente do IAP, Rasca Rodrigues, a empresa será obrigada a tomar medidas de recuperação ambiental dos rios e entorno, além de compensar os danos sociais, econômicos e ambientais, em especial às comunidades locais diretamente afetadas. O IAP deverá cobrar ainda da ALL ações de mapeamento de riscos, manutenção preventiva e revisão do plano de contingência. “Logo após o primeiro acidente a empresa já deveria ter encontrado uma forma rápida e eficiente de socorrer acidentes, atenuando os impactos causados ao meio ambiente. É inadmissível que uma empresa desse porte não esteja preparada para eventuais contratempos”, disse Rasca.