Brasília – O Hospital e Maternidade São Luiz, de São Paulo, passou a coletar células-tronco do cordão umbilical do recém-nascido. O serviço, segundo o hospital, conta com tecnologia de ponta e objetiva armazenar, por meio de congelamento em nitrogênio líquido, o sangue do cordão umbilical retirado do bebê na hora do parto.

De acordo com os médicos, a iniciativa dá aos pais de recém-nascidos a possibilidade de preservar por décadas as células-tronco de seus filhos para utilização futura (por exemplo, em casos de transplante de medula). Quem utiliza o próprio sangue criopreservado para transplantes tem possibilidade zero de rejeição, com 100% de compatibilidade.

“Há estudos que mostram que a preservação das células será útil no tratamento de doenças como Parkinson, Alzheimer, problemas cardíacos e do sistema nervoso, doenças hepáticas e diabetes, entre outros casos”, explica a hematologista Cristiana Solza, responsável técnica da Cryopraxis. São poucas as contra-indicações ao método, que não é recomendado apenas à gestante portadora de doenças infecto-contagiosas e àquela que for vítima de algum tipo de intercorrência clínica durante o parto.

O trabalho do posto de coleta consiste no recolhimento de cerca de 100ml de sangue do cordão umbilical no momento do nascimento do bebê. Em seguida, são preservadas as chamadas células-tronco, também conhecidas como “stem cells”, capazes de gerar, em princípio, qualquer tecido já existente no organismo. O processo de coleta pode ser realizado quando a placenta ainda está aderida ao útero da mãe (intra-útero), pelo próprio obstetra; quando a placenta já está fora do útero, o que é feito por enfermeiras especialmente treinadas ou ainda a coleta combinada, que reúne estas duas alternativas.

Depois de coletado, o material é levado ao laboratório, onde as células serão separadas e preparadas com um composto químico crioprotetor. Logo em seguida, as células são colocadas em bolsas especiais que resistem a temperaturas muito baixas e colocadas numa câmara de congelamento programado, em que a temperatura será reduzida em 1ºC por minuto, até chegar a 80ºC negativos. Após este processo, o material é transportado para um tanque, onde ficará armazenado definitivamente em tambores de nitrogênio líquido, a uma temperatura de 196º Celsius negativos.

As células contidas no cordão e na placenta são ricas em substâncias regenerativas. Para se ter uma idéia da importância do processo, basta lembrar que, nos casos de transplante de medula, é necessária a compatibilidade total (100%) entre receptor e doador. Quando são utilizadas células-tronco extraídas do sangue do cordão umbilical, a compatibilidade aceitável cai para cerca de 60%. Porém, a chance de se encontrar um doador compatível em um banco de cordão público varia entre um para 10 mil doadores e um para 40 mil. Em familiares, a compatibilidade cai de forma vertiginosa, para a proporção de um para quatro pessoas, caso doador e receptor sejam irmãos, filhos de mesmos pais. (Ascom HSL)