Se fosse excluída a alta nos preços de hortaliças e legumes no primeiro trimestre, que subiram 36,10%, o Índice de Preços ao Consumidor da Terceira Idade (IPC-3i), teria registrado alta de 0,44% e não aumento de 1,57% no período. O cálculo foi feito pelo economista da Fundação Getúlio Vargas (FGV), André Braz, para mensurar o impacto das hortaliças e legumes na inflação entre a população idosa.

Braz comentou que pessoas com idade mais avançada tendem a consumir mais hortaliças e frutas, visando a uma boa condição de saúde. Isso faz com que o peso de alimentos in natura, na formação da inflação medida pelo IPC-3i, seja maior do que o registrado no IPC-BR, que mede a inflação no varejo em todas as faixas etárias. No caso das frutas, os preços desse produto subiram 4,97% no primeiro trimestre deste ano.

Para Braz, não há como saber agora se o IPC-3i continuará em alta no segundo trimestre. Isso porque, embora não acredite na continuidade do aumento expressivo nos preços das hortaliças, nos próximos meses, outros fatores podem pressionar o índice para cima.

Ele lembrou que a inflação no segundo trimestre, medida pelo IPC-3i, terá dois efeitos importantes: o impacto do reajuste no preço dos medicamentos, autorizado pela Anvisa em 31 de março; e reajustes nos preços dos planos e seguros de saúde, previstos para ocorrerem em maio e em junho. Esses dois itens pesam muito na formação da inflação entre a população idosa. "Isso pode elevar a taxa do próximo IPC-3i", avaliou.