Haja fígado

?Trabalhadores da Venezuela, unamo-nos e seremos invencíveis? foi a peroração do mentor do socialismo bolivariano, presidente Hugo Chávez, no discurso que fez para anunciar a nacionalização dos campos petrolíferos da bacia do Rio Orinoco, amplo rincão, onde se garante estar enterrada a maior reserva planetária de petróleo pesado.

Como o Primeiro de Maio em Havana não teve, este ano, a presença física e, tampouco, o oceânico discurso do comandante Fidel Castro, seu esperto epígono de Caracas houve por bem encampar a prerrogativa de condoreiro do socialismo caboclo da latinidade e dar pilha à derrubada de céus e terra, para o triunfante assentamento das bases duma novel civilização, para sempre liberta dos cravos pontiagudos do consenso de Washington.

Chávez já havia prelibado um renque de medidas indispensáveis à implantação do socialismo do século XXI, tais como a criação do Banco do Sul, a aquisição de sofisticados aviões, helicópteros e armamentos pesados para transformar a Venezuela em território inexpugnável e, por último, o rompimento com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e Banco Mundial (Bird), denominados ?mecanismos do imperialismo? na sucata ideológica retomada pelo presidente venezuelano, com o atraso de não poucas décadas.

Seu vizinho e cordato bonifrate boliviano, Evo Morales, não se furtou a fazer parte do roteiro festivo da bombarda socialista sul-americana, proclamando da sacada do palácio Quemado, em La Paz, ante uma multidão menos expressiva que a massa de caraquenhos mesmerizada pelo arrevezado clone de Simon Bolívar, o controle absoluto da produção, comercialização e exportação do petróleo e gás natural.

No Brasil, sem nada para nacionalizar, a não ser a pasmaceira administrativa, Lula e seus suseranos mais chegados sucumbiram à capacidade de arregimentação das centrais sindicais para motivar trabalhadores a sair de casa no feriado, atraídos pelo chamariz da apresentação de artistas populares, sorteios de automóveis, apartamentos e utilidades domésticas.

Enquanto isso acontece num País aturdido pela politicalha da maioria dos líderes, o novo ministro do Trabalho manda pendurar em seu gabinete vistosa foto de Getúlio Vargas. Haja fígado…

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