O chefe do Núcleo de Assuntos Estratégicos (NAE) da Presidência da República, Luiz Gushiken, defendeu hoje a investigação dos fundos de pensão.
Em entrevista à Rádio Eldorado, Gushiken voltou a negar as acusações do deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) de que teria influenciado na administração de fundos de empresas e bancos estatais.
"Eu tenho dito reiteradas vezes que não há nenhuma possibilidade de alguém de fora ou do governo manipular os fundos de pensão, como o deputado Roberto Jefferson atribui à minha pessoa", afirmou.
Ele disse que as ligações que são feitas entre ele e as entidades de previdência privada são motivadas pelo caso que envolveu o banqueiro Daniel Dantas (proprietário do Banco Opportunity), desafeto dele, no episódio de espionagem da empresa Kroll Associates.
A apuração feita pela Kroll na Telecom Itália – empresa que disputava com o Opportunity o controle da Brasil Telecom – teria atingido Gushiken antes de ele assumir a já extinta Secretaria de Comunicação de Governo e Gestão Estratégica da Presidência.
"Ele (Dantas) contratou uma empresa de investigação, a Kroll, há dois anos e meio, para investigar a minha vida pessoal numa atividade ilegal e sórdida. Por quê ele fez isso? Porque sempre foi da minha política orientar os fundos de pensão a não permitir que empresários sem escrúpulos pudessem manipular recursos que são patrimônio dos trabalhadores", lembrou.
"Parece que o sr. Daniel Dantas não gostava deste tipo de posicionamento", opinou. O chefe do NAE da Presidência da República afirmou que sugeriu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva a transferência para um cargo menor por causa do quadro de suspeição e de risco à reputação pessoal que as denúncias publicadas na imprensa causaram ao ex-ministro.
"Eu achei que era o melhor caminho a ser trilhado." Gushiken disse ainda que, "há mais de um mês e meio", garante que é impossível a hipótese de os recursos do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza – acusado por Jefferson de ser o principal operador do "mensalão" a parlamentares do Congresso – terem origem nas contas de publicidade do governo.
"É impossível de ocorrer isso. É fato demonstrado, matematicamente", declarou. "Eu até me coloquei à disposição da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito dos Correios) para este esclarecimento. Houve um grande equívoco em achar que, nas contas do governo federal, poderiam ter origem os recursos do sr. Marcos Valério. Não é verdade", observou.


