O dinamismo do setor exportador continua sendo o principal responsável pela geração de empregos no Brasil. Entre os meses de janeiro e maio foram criadas 770 mil novas vagas, embora o número seja inferior ao do mesmo período do ano passado: 826 mil empregos.

A estimativa do Ministério do Trabalho é que até o final do ano o País alcance 1,4 milhão de empregos com carteira assinada, resultado também ligeiramente menor que o anotado em 2004. Como grande parte dos empregos é garantida pelo setor de exportação, é maior a probabilidade de sua continuidade.

O Ministério do Trabalho possui em sua estrutura o Observatório do Mercado de Trabalho, órgão que faz o acompanhamento permanente do comportamento da oferta e ocupação de vagas no mercado formal. Os pesquisadores constatam que apesar dos juros elevados e a dificuldade para obtenção de crédito, as exportações continuam alimentando a geração de empregos.

Esse otimismo não é partilhado pelo Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), onde já se vislumbra o fim desse período de otimismo. Segundo Júlio César Gomes de Almeida, diretor executivo da instituição, a economia do País poderá sofrer sérias conseqüências se novas fontes de estímulo à criação de empregos não forem alocadas com urgência.

Uma preocupação citada pelos analistas diz respeito não apenas à manutenção do ritmo da oferta de empregos e sua expansão gradativa, mas também ao crescimento da massa salarial, hoje concentrada na média mensal de R$ 600.

Com a guinada administrativa esperada do governo Lula no segundo semestre, é possível sonhar com o advento de medidas concretas para impulsionar a atividade produtiva. Esta será a única forma de romper a ameaça de estagnação, cujos resultados negativos são bastante conhecidos e prolongados.

Não se pode mais gastar tempo com discursos carregados de retórica mas vazios de conteúdo, pois o momento reclama labor diuturno na remoção dos entulhos amontoados pela leniência e a pouca vontade de fazer.