Guerra subliminar

A manipulação da informação é uma arma poderosa nas mãos dos estadistas modernos. Esse jogo de interesses tornou-se pródigo para a evolução de carreiras bem-sucedidas de especialistas em propaganda, relações públicas e outras ferramentas utilizadas para atingir, por via subliminar, a consciência coletiva.

Cada governante usa a informação da forma que mais lhe interessa ou aumenta sua messe de dividendos. É o caso recente de Hugo Chávez, que decidiu apontar uma série de efeitos prejudiciais na expansão pretendida da produção de etanol, em sacrifício da produção de alimentos.

O instantâneo do estado do espetáculo deu-se no telefonema que Chávez fez a Fidel em plena emissão do programa Alô, Presidente, ao longo do qual trocaram ironias e desferiram farpas contra o inimigo comum, George W. Bush, enfatizando ser uma atitude ?imoral? usar alimentos para produzir combustível.

Como se sabe, o etanol é produzido a partir do milho, e para cada 20 litros do combustível é necessária a produção de um hectare. Em suma, Chávez e Fidel puxaram brasa para a própria sardinha ao doutrinar que o mais correto é aumentar a oferta de alimentos e restringir o consumo de energia.

O MST também resolveu entrar na briga, malhando a ampliação do cultivo da cana-de-açúcar, frisando que o expansionismo da bioenergia se fundamenta na apropriação de territórios e na opressão dos povos. Aguardemos os próximos lances.

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