Um mês depois do início dos ataques do Primeiro Comando da Capital (PCC) contra a polícia, agências bancárias e ônibus, o Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp) divulgou que 492 pessoas foram mortas por arma de fogo no Estado entre de 12 e 20 de maio. O total de mortes inclui todos os tipos de crime, inclusive suicídio, mas significa uma média diária (61 casos) três vezes maior que o normal – 20 por dia.

Os dados serão entregues hoje ao Ministério Público Estadual e Federal e à Defensoria Pública. "Isso só pode demonstrar que houve mais mortes do que a Secretaria de Segurança Pública divulgou", disse o coordenador do Movimento Nacional dos Direitos Humanos, Ariel de Castro Alves. O presidente do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe), João Frederico dos Santos, preferiu não comentar o número, antes de conversar com representantes do Cremesp.

O Conselho já tinha divulgado uma estatística parecida, mas apenas com as mortes do IML Central. Neste primeiro relatório, que tinha um total de 132 mortes, houve picos de crimes com arma de fogo nos dias 13 e 15 de maio. A mesma análise deve ser divulgada hoje em relação a todo o Estado. O relatório também deve mostrar que houve grande pico de mortes por arma de fogo na capital, Grande São Paulo e no litoral. O nome de todas as vítimas e cópias dos laudos definitivos com a data e o local das mortes também estarão disponíveis.

A partir desses dados, a Defensoria,o MPE e o MPF deverão cruzar informações com inquéritos e boletins de ocorrência, para tentar descobrir o que realmente aconteceu em cada crime. O perito criminal Ricardo Molina é quem fará a assessoria técnica no cruzamento de dados. A Secretaria de Segurança Pública admitiu que a polícia tinha envolvimento em apenas 122 mortes no Estado.