A força-tarefa criada pelo governo do Paraná para combater o mosquito aedes aegypti, transmissor da dengue, definiu nesta segunda-feira (23) que vai ampliar o mutirão e que vai disponibilizar, a partir de quinta-feira (26), sua infra-estrutura para 11 municípios paranaenses onde vem sendo registrados o maior número de casos da doença. Em uma segunda etapa, outros 22 municípios farão parte do mutirão, que se entenderá durante 40 dias.

No encontro, o grupo capitaneado pela Defesa Civil, organizou a infra-estrutura necessária para os mutirões. Serão cedidos 10 caminhões e uma pá carregadeira pela Secretaria de Transportes, roupas para aplicação do inseticidas pela Secretaria da Saúde além de máscaras e óculos com a mesma finalidade, 150 alunos do Batalhão da Política Militar, além de outros materiais como água e alimentação para os envolvidos no mutirão, que contará com a participação de soldados do Exército Brasileiro. Todo material será utilizado para a retirada do lixo que serve como criadouro do Aedes aegypti, mosquito transmissor da doença.

Durante toda a semana anterior, representantes do Governo do Estado visitaram regiões com grande incidência de casos e realizaram este levantamento do que seria necessário para ampliar as ações já realizadas pelos municípios. ?Queríamos saber o que já fizeram, o que fazem no momento e o que vão fazer, para assim podermos auxiliar da melhor maneira possível?, enfatiza o tenente coronel Anselmo José de Oliveira, secretário-chefe da Casa Militar. ?Mas a população não pode esperar que o mutirão vá até sua residência. É preciso fazer este trabalho constantemente?, completa.

?É uma ação de Governo que envolverá diversos órgãos e secretarias de Estado para auxiliar os municípios nesta luta. É uma grande mobilização nesta luta. O mutirão durará 40 dias, mas a Secretaria da Saúde e a Defesa Civil manterão a parceria?, ressalta o secretário da Saúde, Cláudio Xavier. Até o momento, o Paraná registrou 22.920 notificações de casos suspeitos e 6.709 foram confirmados, entre casos importados e autóctones (contraídos dentro do próprio município).

?Fizemos um sistema de informações diferenciado do convencional, para que possamos ter acesso mais rapidamente às informações?, lembra o coordenador das Ações de Intensificação do Controle da Dengue, Glauco Oliveira.

O Governo do Estado também está adquirindo em caráter emergencial 150 bombas costais para aplicações de inseticida, mais oito equipamentos do ?fumacê? para acoplar em veículos, além de mais cinco que virão do Ministério da Saúde que se somarão aos 25 equipamentos que já estão em atividade. Ao todo serão, 37 unidades móveis para realizar o ?fumacê? que tem como objetivo eliminar o mosquito das regiões onde é aplicado.

A Secretaria da Educação, que também participa da força-tarefa, conta com 350 escolas e 180 mil alunos nos 33 municípios considerados prioritários no combate à dengue. Um material impresso informativo já está pronto, assim como um DVD com informações sobre a doença, que será distribuído para estes locais de ensino. A partir do ano que vem a dengue passará a fazer parte do currículo escolar dos alunos da rede pública de ensino estadual.

As Associações de Pais e Mestres (APM) das escolas estaduais também realizarão reuniões com integrantes da comunidade, sempre acompanhados por técnicos da área da saúde para explicar as maneiras de prevenção e o ciclo de vida dos mosquitos. Um questionário também estará a disposição das escolas, para que possam realizar pesquisas e verificar em que questões há maior necessidade de ser trabalhada junto à comunidade.

A Comunicação também é considerada uma peça-chave no trabalho de combate à dengue, já que a prevenção precisa ser feita constantemente pela população. ?Temos uma equipe que entra nas emissoras de rádios destes municípios falando sobre a importância deste trabalho?, analisa o secretário da Comunicação, Airton Pisseti. Um milhão de cartazes também já estão produzidos para serem utilizados durante os mutirões.

Longo Prazo

O trabalho de retirada do lixo e sua destinação correta, como será feito pelo Instituto Ambiental do Paraná, é considerado fundamental. Os ovos do mosquito ficam até 450 dias aguardando condições para eclodirem e não morrem com a aplicação de inseticidas. Da mesma maneira funciona com o frio. ?As ações deste ano se refletirão diretamente no ano que vem?, lembra o tenente coronel Anselmo de Oliveira. Segundo ele, Maringá já tirou quase 1 milhão de toneladas de lixo, mas ainda há prefeitos que não sabem como tratar situações como esta.

Durante os mutirões a população será orientada da necessidade do trabalho constante de limpeza e organização de sua residência para que não fique água parada, local preferido do mosquito da dengue para depositar seus ovos. Até piscinas sem uso já foram encontradas com focos de criação do mosquito.

A lista dos 11 municípios que terão mutirão esta semana é: Prado Ferreira, Miraselva, Florestópolis, Nova Santa Rosa, Palotina, Marechal Cândido Rondon, Ubiratã, Cianorte, Itaipulândia, Santa Helena e Maringá.