Os bancos Citibank e Goldman Sachs receberam hoje (8) as propostas de compra da participação da francesa EDF na distribuidora de energia Light, que opera em 31 municípios do Estado do Rio. O mercado esperava que pelo menos seis grupos previamente qualificados apresentassem ofertas, mas o Citibank informou que novos interessados surgiram na última hora. Após a analise das propostas, a multinacional inicia negociações diretas com os proponentes, que devem ser concluídas no prazo de um mês.

Entre os consórcios que confirmaram a apresentação de propostas hoje, estão o Energia Rio, capitaneado pelo empresário Eduardo Eugênio Gouveia Vieira; o grupo Cemig/Andrade Gutierrez; o banco Pátria; e o GP Participações. Outros dois habilitados, o banco Brascan e o consórcio Guggenheim, não foram encontrados. A EDF não confirmou o número final de propostas apresentadas nem o nome das empresas.

A estatal francesa comprou a Light em 1996, no leilão que estreou o processo de privatizações do governo Fernando Henrique Cardoso. Pagou US$ 2,7 bilhões pela distribuidora, que depois se afundou em uma crise provocada pela desvalorização cambial de 1999 e pelo racionamento de energia – e agravada por problemas na gestão implementada pelos franceses, que importaram modelos europeus para o caótico mercado carioca de energia, apontam especialistas.

A decisão pela venda foi tomada em meados do ano passado, mas o processo vinha sendo conduzido com extrema cautela, para evitar qualquer tipo de mal-estar na relação entre os governos brasileiro e francês. Estima-se, até hoje, que a EDF tenha injetado pelo menos US$ 4 bilhões na companhia, única distribuidora brasileira a participar do programa de capitalização das empresas do setor elétrico criado pelo governo em 2003: a Light recebeu, no ano passado, R$ 727 milhões do BNDES, por meio da emissão de debêntures.

Atualmente, com dívidas em torno dos US$ 1,5 bilhão, a Light ainda enfrenta grandes índices de perdas comerciais com o furto de energia e inadimplência, que respondem por cerca de 30% de suas vendas. Razões que levam alguns dos interessados a crer em propostas de, no máximo, US$ 300 milhões. A EDF não estabeleceu um valor mínimo para a empresa e pretende negociar com os autores das melhores ofertas. Também não ficou definido se a distribuidora será vendida isoladamente ou em conjunto com a Usina Termelétrica do Norte-Fluminense (Utenf), que fica em Macaé (RJ).

A EDF não descarta manter uma participação minoritária na Light, com a entrada de novos acionistas por meio de aumento de capital Nesse caso, o BNDES será obrigado a converter em ações parte das debêntures da empresa que tem em carteira, tornando-se acionista minoritário da distribuidora. Segundo o vice-presidente da instituição, Demian Fiocca, para cada R$ 1 aportado pelos controladores no capital da companhia, o banco tem que converter R$ 2 em ações. O contrato entre as partes, diz ele, estipula o preço de conversão em R$ 11,13 por ação, menor do que os R$ 20,35 que as ações valiam hoje na Bovespa, quando o papel registrou queda de 4,91%, a maior do pregão.