Foto: Lizandra Tadaieski
Fábrica em São José dos Pinhais
continua com a produção parada.

Não houve conciliação entre a montadora Wolkswagen-Audi e os funcionários na audiência realizada ontem à tarde, no Tribunal Regional do Trabalho (TRT-PR). A empresa se negou a apresentar proposta impossibilitando qualquer tentativa de negociação.

Sem acordo, a greve será julgada amanhã, às 10h, na sede do TRT, no centro de Curitiba. Enquanto isso, os trabalhadores vão esperar o resultado de braços cruzados. Não haverá produção na fábrica de São José dos Pinhais até o pronunciamento da decisão judicial.

O Sindicato dos Metalúrgicos acredita em um parecer favorável aos trabalhadores. “Nossas reivindicações são justas, 2500 trabalhadores não iriam parar as atividades se não houvesse realmente um motivo forte”, afirmou Sérgio Butka, presidente do Sindicato. “Em nenhum momento dos quatro dias de greve os trabalhadores enfraqueceram a mobilização”, disse Butka se referindo a greve ter atingido 100% da fábrica desde o início da paralisação.

Amanhã será realizada nova assembléia com os trabalhadores e após o término eles vão seguir em carreata para o TRT. O Sindicato vai disponibilizar cinco ônibus que sairão junto com a carreata da porta de fábrica rumo ao Tribunal.

Butka antecipa que será um movimento pacífico como foi também todo o período de paralisação. “Não acreditamos que o julgamento condene a ação de trabalhadores que lutam pela própria saúde e segurança, melhores condições de trabalho e participação de lucros condizentes com o crescimento da produção da empresa”, disse.

Para este ano a empresa pretende aumentar a produção de veículos em 76,47% – em contrapartida oferece apenas a média 17% de correção na Participação de Lucros do ano passado. Entre os pontos agravantes do impasse, segundo o Sindicato dos Metalúrgicos é que a Volkswagen quer contratar apenas 36% a mais de funcionário para dar conta das metas de produção de 85 mil unidades em 2003 para 150 mil em 2004.