Mais um sobressalto no recém-iniciado périplo do segundo mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, ademais da probabilidade real do encolhimento da base aliada com o retorno dos parlamentares migrantes aos partidos pelos quais foram eleitos, face à interpretação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), quanto a quem pertence o mandato.

O sinal de alerta continua piscando e, desta vez, pela decisão ainda em caráter liminar do ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), reconhecendo veracidade no fundamento legal da intenção oposicionista em propugnar a CPI do Apagão Aéreo. O pedido foi arquivado na semana passada pela Câmara dos Deputados.

Mesmo em se tratando de medida de alcance parcial, a oposição vibrou com o pronunciamento do ministro Celso de Mello e, de imediato, retomou a ofensiva para não permitir que o tema seja relegado a plano secundário. Mello explicitou que a comissão somente será instalada após determinação exarada pelo conjunto de ministros do STF, em plenário, prevista para o final de abril ou início de maio.

Por sua vez, resta ao governo manter as barbas de molho, embora disponha de mais algumas semanas para colecionar os argumentos que reduzam a corrosão causada pela vergonhosa crise na gestão do sistema de controle de vôos, nos mais movimentados aeroportos do País.

Anomalia que se prolonga por seis meses, sem que até o momento o governo, por meio do Ministério da Defesa, Aeronáutica ou Infraero, tivesse capacidade para fornecer, pelo menos, uma explicação razoável. Mesmo falando em mês, dia e hora para o caos acabar.

A razão primacial subscrita pelo ministro é o direito que a sociedade tem de conhecer a extensão da verdade sobre as constantes irregularidades que passaram a azucrinar o cotidiano dos usuários do transporte aéreo, obrigados a desmarcar compromissos e a dormir em bancos ou carrinhos de bagagem.

Haveria, por acaso, alguma outra razão superior ao direito da cidadania de conhecer as entranhas do grande leviatã?