A turbulência nos mercados financeiros brasileiro e mundial ganhou força na semana passada. O dólar subiu, a bolsa caiu e dúvidas sobre o futuro do mundo e do Brasil entraram na pauta. De acordo com fontes do governo e alguns analistas, embora existam importantes dúvidas sobre o futuro da economia norte-americana e, em conseqüência, da economia mundial, o cenário mais provável é que esse sobe-desce nos mercados continue no curto prazo, mas se estabilize um pouco mais à frente, sem que o mundo entre em crise.

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No entanto, se um cenário pior ocorrer, a avaliação geral é que o Brasil está bem mais preparado para enfrentar uma crise externa hoje e os impactos serão muito menores do que em períodos anteriores.

Na equipe econômica do governo, a avaliação majoritária é de que o ciclo de aperto monetário dos EUA está próximo do fim, com o Fed – o banco central norte-americano – elevando suas taxas de juros no máximo para 5,25% ou 5,5%. "Isso vai provocar algum ajuste de carteiras de investimentos, mas não vai levar a uma crise porque nossa situação em termos de contas externas é confortável", disse uma fonte.

"Enquanto não estiver claro até onde vai o juro americano, vai prevalecer a volatilidade. A incerteza é ruim, mas os fundamentos da economia estão tranqüilos, reduzindo os riscos de uma crise", disse outra fonte do governo. "O Brasil deve se sair bem dessa", completou.

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Embora espere que essas incertezas se dissipem em algum momento, o governo não descarta um cenário de aperto monetário mais forte o que reduziria o ritmo de crescimento da economia mundial. Isso, sim, poderia causar uma crise. Nessa situação, o desempenho das exportações do Brasil poderia ser afetado, com danos à economia. De qualquer forma, o governo avalia que o crescimento das reservas internacionais, a redução da dívida externa e da necessidade de financiamento no exterior amorteceriam o impacto de uma eventual crise vinda de fora.

Um analista internacional ouvido pelo Estado também avalia que a situação mais provável é que a trajetória de alta nas taxas de juros básicos norte-americanos esteja próxima do fim, com a taxa atingindo no máximo 5,25% ao ano. "Os EUA estão em um processo de elevação dos juros para um nível de equilíbrio, que permita ao país continuar crescendo sem pressões inflacionárias", afirmou. Nesse sentido, a projeção é de um cenário sem crise para o mundo neste ano, apesar das incertezas no mercado.

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Esse analista pondera que, sob a ótica do Brasil, o dólar pode subir nesse processo, fruto da redução no diferencial entre a taxa de juros lá fora e a taxa básica brasileira, a Selic, que está em trajetória de queda.

O professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Antônio Corrêa de Lacerda, considera que o movimento de ajuste na taxa de juros americana não vai provocar uma mudança drástica no fluxo de capitais nem uma crise no Brasil. "Estamos numa situação econômica muito melhor hoje.