Brasília – Cerca de 23 mil pessoas usam o medicamento Kaletra, que combate o vírus da aids. Hoje (11), o ministro da Saúde, Saraiva Felipe, deu uma boa notícia para esses brasileiros e para a economia do país. Depois de três meses de negociação, o laboratório Abott, que produz o Kaletra, concordou em reduzir o preço do remédio. A unidade passou de US$1,17 para US$ 0,63, mas o preço só valerá a partir de março do ano que vem. Enquanto isso, o ministério continuará pagando o preço antigo.
O governo brasileiro também obteve doação da Abott de US$ 3 milhões em outros medicamentos anti-retrovirais ou insumos, como kits diagnóstico. Além disso, o Brasil também poderá adquirir o substituto do remédio, o Meltrex (que ainda está em processo de registro nos Estados Unidos) com um acréscimo de 10% no valor do Kaletra.
Com isso, o Ministério da Saúde deverá economizar US$ 339,5 milhões entre 2006 e 2011. O secretário de Vigilância em Saúde, Jarbas Barbosa, disse que essa redução de custo será muito vantajosa para o Brasil. "Em primeiro lugar, garantimos o futuro do programa, porque o ministério conseguiu um preço que é inimaginável para qualquer outro país do mundo. Para ter uma idéia, dez países da América Latina firmaram, há um mês, acordo para comprar esse medicamento a US$ 1,88 a cápsula", afirmou.
Segundo Jarbas Barbosa, isso só foi possível "graças ao prestígio do programa brasileiro e a firmeza com que o Brasil negociou com a Abott durante esses meses".
O ministro da Saúde, Saraiva Felipe, disse que as negociações abriram um precedente que pode prejudicar o laboratório. "A Abott temia que essa redução dos preços criasse um precedente grave. Eu acho que isso pode ocorrer, mas não é problema nosso", afirmou.
Saraiva Felipe lembrou que o Brasil é o único país em desenvolvimento que proporciona acesso universal ao tratamento para pacientes com aids utilizando medicamentos de última geração.


