Apesar da decisão do PTB e do PP de retirar as assinaturas ao requerimento da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Correios, o governo ainda está inseguro, mas não desistiu da estratégia de enterrar a CPI, num trabalho intenso que se seguirá até à noite. A principal dificuldade está no PMDB e a administração federal estaria, segundo avaliações de parlamentares da base aliada, nas mãos do grupo ligado ao ex-governador e secretário de Governo e Coordenação do Estado do Rio, Anthony Garotinho (PMDB), adversário do Poder Executivo federal. "Se o PMDB não retirar os nomes, não adianta", admitiu o líder do PP na Câmara, José Janene (PR). Mas o PMDB avisou: se o PT não conseguir, internamente, a unidade, não contem apenas com os peemedebistas para salvar o Executivo. Diante disso, o Palácio do Planalto intensifica a ação para restringir as adesões no PMDB à bancada de Garotinho e, no PT, ao grupo mais à esquerda, estimado em oito parlamentares. Obtendo êxito nessa ofensiva, os articuladores do Planalto acham possível tornar inviável a comissão. Há boa vontade de partidos aliados em seguir a orientação da Presidência da República. O PSB, por exemplo, poderá ajudar com os seis signatários do pedido, caso esse apoio seja decisivo para a operação abafa. O líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), afirmou que a retirada de adesões só será oficializada no fim da noite, se as mesmas forem suficientes para virar o jogo, pois não há interesse em desgastar, politicamente, aliados. "Não trabalhamos com ilusões, mas não considero impossível", afirmou Chinaglia, admitindo que "poderá haver um desequilíbrio desfavorável à oposição".