O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu hoje à população brasileira tempo para que o governo avalie e adote corretamente as medidas necessárias para resolver os problemas causados pelas enchentes que vêm atingindo o país desde o final de janeiro. Durante discurso na cerimônia de lançamento do Programa Nacional de Florestas 2004/2007, no Palácio do Planalto, Lula disse que precisa de tempo “até para discutir bem cada coisa” que se pretenda fazer daqui pra frente no que diz respeito aos problemas ocasionados pelas chuvas.

“Vale a pena muitas vezes não tomar decisão precipitada num determinado momento, esperar um outro momento até que a gente possa ouvir alguém mais experiente que a gente. Mas vale a pena cada passo que a gente der, a gente saber que passo a gente está dando, quem a gente vai beneficiar e quem vai prejudicar porque, certamente, nós não queremos dar passos para prejudicar ninguém”, enfatizou Lula.

Segundo o presidente, “não custa nada” discutir com mais calma as possíveis soluções para as chuvas, uma vez que o governo tem responsabilidades com toda a população brasileira. “Alguns fomos nós que colocamos no mundo, portanto, nós temos que cuidar deles com muito carinho”, disse Lula.

O presidente voltou a afirmar que as chuvas são conseqüência de uma “irresponsabilidade histórica” no Brasil, mas admitiu que são muitos os culpados pelas tragédias das chuvas – inclusive as pessoas que, no passado, vendiam terrenos na beira de encostas à população carente para ganhar dinheiro. “No passado não muito longínquo, pessoas que tinham mais consciência ganharam dinheiro vendendo loteamentos em áreas que não podiam ser loteadas. E aí não tem um culpado, são muitos os culpados”, disse.

Os fatores naturais, na opinião do presidente, também são responsáveis diretos pelos danos causados pelas chuvas. Lula lembrou que no Nordeste, só no mês passado, já choveu em média de 400 milímetros e 280 milímetros, enquanto há dez anos essa média era de 50 milímetros no mês de janeiro. “Não existe poder ainda para a humanidade controlar a força da natureza”, enfatizou. O presidente disse ter “pena” dos prefeitos no período das chuvas porque, ao sinal do primeiro trovão, todos ficam preocupados com os danos que as enchentes podem causar aos mais pobres.

Lula também admitiu que qualquer ação que venha a ser tomada em cidades como São Paulo para conter as chuvas, elas serão insuficientes para solucionar o problema das enchentes. “Pode se construir tudo o que puder construir em São Paulo, mas a verdade é que de forma inadequada as pessoas pobres vão para a beira de córregos porque não têm para onde ir. Ou para encosta de morro”, afirmou. Por isso o tempo, na avaliação de Lula, é a única saída para que o governo possa refletir com cautela as medidas que serão tomadas para conter as chuvas daqui pra frente.