Hoje será um dia decisivo para o governo, que está jogando todas as suas fichas
para desmontar a CPI dos Correios. A sessão do Congresso destinada à leitura do
requerimento de criação da CPI está marcada para as 10 horas. O quorum
necessário para a abertura dos trabalhos é de 86 deputados e 14 senadores. O
governo terá até a meia-noite para retirar as assinaturas e inviabilizar a
comissão antes do envio do pedido à gráfica do Senado para publicação. A
expectativa dos deputados é a de que será uma sessão tensa e tumultuada, dando
nitidez ao confronto entre governo e oposição que marcou os últimos dias
políticos no Congresso. Se conseguir reverter o quadro, retirando mais de 80
assinaturas na Câmara e 25 no Senado, o governo contabilizará uma
grande vitória política reunificando sua base, independentemente do custo
político. Caso contrário, terá graves problemas políticos pela
frente, evidenciando a dispersão de seu esquema de sustentação
parlamentar.

O clima ontem era de nervosismo e, pela primeira vez, os
ministros da Casa Civil, José Dirceu, e da Coordenação Política, Aldo Rebelo,
falaram a mesma linguagem e saíram juntos em defesa do governo. Foram até o
apartamento do presidente do PTB, deputado Roberto Jefferson (RJ), para
convencê-lo a recuar, principalmente depois que o petebista, em conversa com
seus colegas, ameaçou "arrastar" o PT e o governo caso fosse o principal objeto
da investigação da CPI. Depois de conseguir o recuo do PTB no início da noite,
que vai retirar suas 13 assinaturas do requerimento, o governo aguarda o mesmo
movimento dos demais partidos da base aliada para desmontar a CPI como PMDB, PP
e PL. Os ministros, principalmente Aldo e Dirceu, estão apelando para os riscos
de a CPI provocar instabilidade política com reflexos diretos na economia.