O governo intensificou a mobilização para retirar as assinaturas do requerimento
de criação da Comissão Parlamentar de Inquérito dos Correios, lido na sessão do
Congresso ainda em andamento. O governo tem até a meia-noite para retirar 84
assinaturas de deputados do total de 254 que oficialmente constam do documento.

Em reunião que terminou a 1h desta madrugada os ministros da Casa Civil,
José Dirceu, da Coordenação Política, Aldo Rebelo, e os líderes da base
avaliaram que ainda há chance de inviabilizar a CPI se os partidos cumprirem as
metas estabelecidas. O PMDB, por exemplo, terá de retirar 27 das 37 assinaturas
de apoio ao documento. O PT terá de retirar 10 assinaturas. "Não jogamos a
toalha", afirmou o líder do PT na Câmara, Paulo Rocha (PA).

A bancada do
PT já está com reunião marcada para as 18h e o líder do governo na Câmara,
Arlindo Chinaglia (PT-SP), pediu para que todos os petistas fiquem na cidade até
as 23h30. A deputada Luci Choinack (PT-SC) já retirou sua assinatura, mas muitos
deputados de correntes mais à esquerda do partido se recusam a recuar. "Vamos
continuar trabalhando no convencimento. Numericamente é possível evitar a CPI,
mas o trabalho só terá eficácia se a ação for em bloco", afirmou
Rocha.

De acordo com líderes aliados, o PTB cumpriu a sua meta retirando
o apoio à CPI. A retirada de muitas assinaturas da bancada petebista ainda não
foi formalizada na Mesa do Congresso mas os aliados afirmam que elas serão
entregues nos últimos minutos de hoje. Na reunião que terminou na madrugada, os
governistas constataram que seria impossível evitar a sessão de hoje, retirando
o quórum, porque apenas os parlamentares de oposição garantiriam a leitura do
requerimento.

Já a oposição trabalha para garantir a CPI. Pela manhã, às
8 horas, o PSDB e o PFL já alertavam os parlamentares de suas bancadas para não
se atrasarem para a sessão de leitura do requerimento, marcada para as 10h. O
objetivo era garantir quórum e anular qualquer tentativa do governo de esvaziar
a sessão. A oposição também está orientando alguns deputados que assinaram a CPI
a não atenderem seus celulares para evitar pressão do Palácio do
Planalto.