O secretário do Tesouro Nacional, Joaquim Levy, disse hoje (10) que a meta para a administração pública para este ano será cumprida. O objetivo é reduzir a 45% a parte da dívida atrelada à Selic ? taxa básica de juros da economia brasileira. No final do mês passado, segundo o secretário, esses débitos representavam 47%. De acordo com Levy, existem condições para acelerar a redução desse percentual com a queda da taxa de juros.

"Ela já vinha diminuindo nos últimos anos, mas agora há condições objetivas de aceleração, principalmente na medida em que você vê a perspectiva de queda da taxa de juros", disse Levy, que deu aula magna da Fundação Getúlio Vargas no Rio. Ele se mostrou confiante acerca do cumprimento da meta, apesar de acreditar "que há um entendimento dentro do Banco Central que a administração da dívida pública é uma coisa que não lhe diz respeito".

O BC mantém uma tática de contenção da apreciação cambial através da negociação de contratos de "swap reverso". Essa medida contribui para elevar a parcela da dívida pública que varia de acordo com a Selic. Nesta negociação, as instituições financeiras que compram esses contratos do BC, recebem uma taxa de juros, enquanto o Banco ganha a variação cambial do período de validade dos contratos. O mais comum é acontecer o contrário: o Banco, em geral, paga a variação do câmbio e recebe a taxa de juros. A negociação desses contratos equivale à compra de dólares no mercado futuro, simulando o aumento de demanda pela moeda norte-americana, o que eleva seu valor cambial.

"Essa é uma decisão autônoma do Banco Central", afirmou. Levy também negou que seu nome tenha sido formalmente indicado pelo governo brasileiro para assumir a vice-presidência do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). "Claramente não houve indicação formal, até porque não pode haver", disse. "Há seis meses houve uma conversa e ponto. Eu acho surpreendente que haja manifestação no Brasil de uma decisão que é do BID", acrescentou. Segundo o secretário, o seu futuro depende exclusivamente do ministro da Fazenda, Antônio Palocci. "Ele que me nomeou, ele que me desnomeie".